Sarkozy pede união para salvar euro e ajudar Grécia

Atenas/reuters Direito de imagem BBC World Service
Image caption Confrontos foram registrados entre manifestantes e policiais em Atenas

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, fez um apelo nesta quinta-feira para que outros líderes europeus encontrem com urgência a melhor forma de ajudar a Grécia a resolver sua crise financeira, preservando assim a zona do euro.

"Precisamos defender nossa moeda única e as instituições europeias", afirmou.

"Temos de deixar para trás nossas disputas nacionais para voltarmos a encontrar a sensação de que compartilhamos um destino comum", disse Sarkozy.

O presidente francês se refere ao maior ponto de discórdia sobre o segundo pacote de resgate financeiro proposto para a Grécia, que deve cobrir os próximos três anos.

Vários países, incluindo a Alemanha, querem que bancos privados que possuam bônus da dívida grega contribuam com o pacote.

Outros, como a França, temem que, se isso acontecer, a Grécia possa ser declarada inadimplente, contagiando o sistema financeiro internacional. O Banco Central Europeu compartilha da posição francesa.

Pacote

Nesta quinta-feira, o partido socialista do primeiro-ministro da Grécia, George Papandreou, convocou uma reunião de emergência após a tentativa fracassada do premiê de formar um governo de unidade nacional com a oposição, no dia anterior.

Papandreou teria prometido nomear um novo gabinete até a sexta-feira e submeter a nova administração a um voto de confiança parlamentar no domingo.

O principal objetivo do novo governo seria a aprovação, até o fim do mês, de mais medidas de austeridade impostas pela União Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), para que a Grécia continue recebendo parcelas de ajuda financeira necessárias para que o país honre os pagamentos de sua dívida.

A parcela de 12 bilhões de euros (R$ 27,3 bilhões) que o país espera receber em julho é parte do primeiro pacote de resgate, de 110 bilhões de euros (R$ 250,8 bilhões) aprovado no ano passado.

O primeiro pacote exigiu um grande esforço por parte dos gregos, mas foi considerado insuficiente para equilibrar a economia do país, mais atingida que o calculado por uma recessão.

As negociações para um segundo pacote devem ocorrer em julho.

As medidas de austeridade são altamente impopulares na Grécia. Boa parte dos parlamentares do país alega que a população já fez sacrifícios demais. Outros dizem que as medidas aprofundariam ainda mais a recessão grega.

Na quarta-feira, cerca de 40 mil pessoas protestaram em frente ao Parlamento, na capital, Atenas, contra as medidas. Houve confronto entre manifestantes e a polícia.

Luz

Apesar da crise, o chefe da delegação grega para o Parlamento europeu, Stavros Lambrinidis, disse que o país vem fazendo progressos.

"Só no ano passado, a Grécia reduziu seu déficit em 5%, a maior redução na história da zona do euro. Tivemos o segundo maior aumento da receita da União Europeia e cortamos cerca de 10% dos funcionários públicos", disse ele.

Lambrinidis disse que todos ganhariam se forem oferecidas condições mais razoáveis aos gregos.

"Qualquer povo que enfrenta medidas severas de austeridade em uma democracia precisa ver luz no fim do túnel."

"Acredito que podemos convencer a população de que a situação é muito, muito difícil e, desta forma, a solidariedade é necessária nesse momento."

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