ONU separa Talebã e Al-Qaeda em suas listas de sanções

Combatente do Talebã em foto de 2008 da BBC Direito de imagem BBC NEWS
Image caption Medida visa atrair milícia ao processo político no Afeganistão

A ONU separou a Al-Qaeda e o Talebã em diferentes listas de sanções, em uma tentativa de encorajar os talebãs a se unir aos esforços de reconciliação no Afeganistão.

Até agora, ambos os grupos islâmicos estavam sob o mesmo comitê de sanções das Nações Unidas.

O Conselho de Segurança da ONU diz que a divisão tem como objetivo sinalizar ao Talebã – milícia que controlou a maior parte do Afeganistão entre 1996 e 2001, ano da invasão americana – que é hora de o movimento se juntar ao processo político afegão.

Diplomatas apontam que a medida tomada pela ONU é um reconhecimento de que o Talebã e a Al-Qaeda são grupos com objetivos diferentes.

A rede extremista Al-Qaeda tem como missão a jihad (guerra santa) global, enquanto o Talebã está envolvido em um processo de insurgência focado no Afeganistão - ainda que a milícia seja acusada de ter abrigado líderes da Al-Qaeda, incluindo Osama Bin Laden, enquanto esteve no poder em Cabul.

O conselho da ONU aprovou nesta sexta-feira, por unanimidade, duas resoluções: uma delas determina a criação de uma nova lista de sanções para indivíduos e grupos acusados de elos com a Al-Qaeda, e outra, para as pessoas ligadas ao Talebã.

‘Mensagem ao Talebã’

A embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Susan Rice, disse em comunicado que a separação “envia a mensagem ao Talebã de que há futuro para aqueles que se separarem da Al-Qaeda, renunciarem à violência e seguirem a Constituição afegã”.

Para o embaixador britânico no organismo, Mark Lyall Grant, “o Conselho de Segurança deu um passo importante para fortalecer suas ferramentas na luta contra o terrorismo. Adotamos um novo regime de sanções para a insurgência no Afeganistão e um segundo (regime) para a ameaça terrorista promovida pela Al-Qaeda”.

No início de junho, o secretário da Defesa dos EUA, Robert Gates, havia declarado que um diálogo político com o Talebã poderia ter início até o fim deste ano.

Washington deve começar, no próximo mês, a retirada de 97 mil militares do Afeganistão, à medida que as forças americanas começam a transferir os esforços de segurança para as tropas afegãs, processo que deve se manter até 2014.

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