Otan acusa regime líbio de usar ‘mesquitas e parques como escudo’

Mesquita que rebeldes dizem ter tomado das forças de Khadafi na Líbia (Reuters) Direito de imagem Reuters
Image caption Dois lados do conflito trocam acusações de ataques a alvos civis

A Otan (aliança militar ocidental) acusou as tropas do líder Muamar Khadafi de usar mesquitas e parques de diversão infantis como escudos na Líbia enquanto “atacam brutalmente e sistematicamente” o povo líbio.

A declaração é uma resposta a acusações, feitas pelo regime líbio, de que a Otan estaria deliberadamente alvejando edificações civis no país norte-africano.

Na sexta-feira, o premiê líbio, Al-Baghdadi al-Mahmudi, havia dito que a Otan estava levando o conflito a “um novo nível de agressão” e cometendo “crimes contra a humanidade” ao “atingir prédios civis”.

Em comunicado neste sábado, Oana Lungescu, porta-voz da Otan, rejeitou as acusações e disse que a aliança está conduzindo suas operações com “cuidado e precisão para evitar mortes civis”.

A aliança está atacando as forças de Khadafi na Líbia com a anuência de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, sob a justificativa de proteger os civis líbios dos ataques do regime.

Lungescu acusou as tropas de Khadafi de “bombardear cidades e portos” e de usar instalações como parques e mesquitas para se proteger dos ataques da aliança.

No entanto, ainda neste sábado, a aliança admitiu que uma aeronave sua acidentalmente atingiu um comboio de rebeldes líbios na última quinta, por ter confundido os insurgentes com tropas de Khadafi.

Diplomacia

Ao mesmo tempo, o regime líbio – sob pressão pelos bombardeios da aliança - insiste em que está dialogando com os rebeldes do país, que por sua vez negam as conversas.

Em entrevista à agência Reuters, os rebeldes disseram também que estão ficando sem dinheiro para manter o combate ao regime de Khadafi, queixando-se de que supostas promessas de doações estrangeiras não se concretizaram.

No campo internacional, se reuniram no Egito neste sábado representantes da ONU, da União Europeia, da Liga Árabe, da União Africana e da Conferência Islâmica para discutir a crise na líbia.

Em comunicado pós-encontro, os representantes pediram “a aceleração do lançamento de um processo político que responda às aspirações legítimas do povo líbio”.

E a Áustria anunciou planos de reconhecer os rebeldes líbios como governo legítimo da Líbia – medida já adotada por cerca de dez países, entre eles Alemanha, Itália e França.

O Conselho Nacional Transitório (CNT) a ser reconhecido pela Áustria é o braço político das forças que iniciaram uma ofensiva contra o regime de Khadafi, inspirados nos levantes populares que derrubaram os governos de Tunísia e Egito.

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