Merkel pressiona investidores privados a contribuir com resgate grego

Protestos em Atenas neste sábado, contra medidas de austeridade (AP) Direito de imagem AP
Image caption Medidas de austeridade exigidas pelo FMI e a UE enfrentam resistência popular na Grécia

A chanceler alemã, Angela Merkel, instou os credores privados a aliviar a crise da dívida na Grécia, ao mesmo tempo em que continuaram os protestos em Atenas neste sábado.

Para a líder alemã, um novo pacote de resgate aos gregos deve incluir um aporte “substancial” de bancos privados.

Na última sexta-feira, o premiê da Grécia, George Papandreou, trocou seu gabinete, na tentativa de restaurar a estabilidade política.

O país aguarda a aprovação da próxima etapa de um acordo, bancado pela União Europeia e o FMI, que totaliza 110 bilhões de euros (R$ 251 bilhões).

Uma nova parcela desse total é necessária para evitar que o país tenha de declarar a moratória em dívidas que vencem nos próximos meses, mas o empréstimo depende de duras medidas de austeridade domésticas, que contam com pouco apoio popular.

Papandreou planeja aumentos nos impostos, cortes em pensões e privatizações que resultem na economia de 28 bilhões de euros pelos próximos quatro anos. As medidas despertaram protestos em todo o país.

Neste sábado, milhares de gregos marcharam diante do Parlamento do país.

Críticas alemãs

Ao mesmo tempo, Merkel enfrenta duras críticas domésticas por conta da alta contribuição da Alemanha aos pacotes de resgate estabelecidos para os países europeus em crise.

Berlim pressiona para que investidores deem mais tempo para que a Grécia quite suas dívidas e ajudem em futuros resgates ao governo de Papandreou.

Merkel declarou neste sábado que, ainda que a contribuição de agentes privadas ao resgate grego devam ser voluntárias, a Alemanha vai trabalhar para que elas sejam substanciais.

Em reunião com correligionários em Berlim, a chanceler disse que tais negociações devem acontecer no âmbito privado, de forma a evitar temores, entre investidores e agências de classificação de risco, quanto à possibilidade de calote na Grécia.

“Temos novamente de mostrar solidariedade (a Atenas) e também de incluir credores privados”, ela declarou.

Na última sexta-feira, Merkel e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, fizeram uma demonstração conjunta de apoio ao resgate grego, o que acalmou os mercados financeiros.

Neste domingo, a crise grega será tema de uma reunião entre ministros das Finanças da zona do euro.

Internamente, o premiê Papandreou ainda terá de enfrentar um voto de desconfiança do Parlamento, que será discutido pelo Legislativo do país na próxima semana.

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