Ex-presidente tunisiano nega acusações de corrupção e defende legado

Ben Ali, em foto tirada em 2009 (Reuters) Direito de imagem Reuters
Image caption Ben Ali, que está na Arábia Saudita, será julgado na Tunísia nesta segunda-feira

O ex-presidente da Tunísia Zine al-Abidine Ben Ali, forçado a deixar o poder após uma onda de protestos populares em seu país, negou neste domingo as acusações que recaem sobre ele, na véspera do início de seu julgamento.

Ben Ali fugiu à Arábia Saudita em 14 de janeiro, e não deve estar presente no seu julgamento.

Seus advogados disseram que a ação judicial é uma tentativa do governo interino tunisiano de desviar a atenção pública da instabilidade atual no país norte-africano.

Se condenado, Ben Ali, de 74 anos, pode ser sentenciado a até 20 anos de prisão, sob acusações de crimes como corrupção e até tráfico de drogas.

Mas as autoridades sauditas ainda não responderam a um pedido de extradição feito pela Tunísia, que quer trazer Ben Ali e sua mulher, Leila Trabelsi, de volta ao país. É pouco provável que o ex-casal presidencial seja levado pessoalmente à corte judicial.

Acusações

Autoridades tunisianas têm preparado diversas contendas legais contra Ben Ali, mas o julgamento desta segunda inicialmente envolverá acusações relacionadas a quantias de dinheiro, armas e drogas supostamente encontradas nos palácios presidenciais.

Seus detratores dizem que, após a fuga de Ben Ali, foram descobertos carregamento de 2 kg de drogas (aparentemente maconha) e US$ 27 milhões nas casas.

O ex-presidente também é investigado por suspeitas de assassinato, abuso de poder, tráfico de bens arqueológicos e lavagem de dinheiro.

Por meio de seus advogados em Beirute, no Líbano, Ben Ali defendeu seus 23 anos de Presidência da Tunísia.

“Ele (Ben Ali) gostaria que todos soubessem que essa perseguição criminal é apenas uma farsa vergonhosa”, disse um comunicado dos advogados. “Será que o objetivo atrás disso é distrair os tunisianos das turbulências das quais ele (o ex-presidente) não pode ser acusado?”

O comunicado argumentou que “toda nova autoridade política quer culpar seu antecessor pelas dificuldades que não consegue resolver”, referindo-se ao governo interino.

Os defensores de Ben Ali disseram que o ex-presidente fará em breve um anúncio a respeito das circunstâncias de sua saída do país. “Ele reforça que não fugiu. Ele queria evitar um confronto sangrento entre o povo tunisiano, que está sempre em seus pensamentos e seu coração.”

O comunicado também pediu que o povo não se esqueça das "conquistas" de seu mandato. “O Estado, sob sua supervisão, conseguiu em três décadas melhorar o padrão de vida do povo tunisiano e transformar o país em moderno, apesar do fato de que (a Tunísia) ainda precisa de mais desenvolvimento.”

Críticos da gestão de Ben Ali dizem, porém, que seus 23 anos no poder foram marcados por autocracia, corrupção e desrespeito aos direitos humanos.

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