Diálogo de reconciliação entre grupos palestinos é adiado

Membros do Fatah e do Hamas em foto de arquivo de reunião ocorrida em maio (AFP) Direito de imagem AFP
Image caption Hamas e Fatah divergem quanto à liderança de seu governo interino de unidade

Uma reunião agendada para a próxima terça-feira entre o presidente palestino, Mahmoud Abbas, e o líder do grupo Hamas, Khaled Meshaal, foi adiada indefinidamente, segundo autoridades.

O objetivo do encontro, no Cairo, seria discutir como chegar a um consenso para a formação de um governo de unidade e de reconciliação entre as duas partes.

Mas desavenças remanescentes forçaram a suspensão indefinida dos diálogos, disseram oficiais do grupo Fatah em Ramallah.

O adiamento lança novas dúvidas sobre a viabilidade do acordo entre o Hamas e o Fatah, cujo objetivo era pôr fim aos quatro anos de hostilidades entre os dois grupos – divergências estas que deixaram os palestinos com governos rivais na Cisjordânia (comandada pelo laico Fatah) e na Faixa de Gaza (comandada pelo grupo islâmico Hamas desde 2006).

O acordo bilateral deveria, em tese, pavimentar o caminho para um governo interino conjunto e para eleições palestinas no ano que vem.

‘Melhor atmosfera’

“O encontro no Cairo foi adiado para garantir uma melhor atmosfera para a implementação bem-sucedida do acordo de reconciliação”, disse à France Presse o integrante do Fatah Azzam al-Ahmed.

No início da semana passada, o Hamas havia rejeitado a nomeação de Salam Fayyad, que comanda a administração da Cisjordânia, para o cargo de premiê de um governo unitário de transição, que prepararia o terreno para eleições.

A rejeição a Fayyad pode comprometer o apoio ocidental ao novo governo, segundo analistas. Um nome do Hamas para o cargo dificilmente seria bem visto no Ocidente, já que o grupo é considerado terrorista por Israel, pelos EUA e pela União Europeia.

Israel

Ao mesmo tempo, a chefe de Relações Exteriores da União Europeia, Catherine Ashton, e o premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, se encontraram neste domingo em Jerusalém, para discutir como relançar os diálogos de paz israelo-palestinos.

Os diálogos estão emperrados diante do impasse relacionado aos assentamentos judaicos em regiões reivindicadas pelos palestinos, na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.

Cerca de 500 mil judeus vivem nesses assentamentos, considerados ilegais sob a lei internacional – algo de que Israel discorda.

A viagem de Ashton coincide com um anúncio do Ministério do Interior de Israel, que aprovou a expansão de 2 mil residências localizadas em um assentamento em Jerusalém Ocidental.

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