Ministros europeus discutem novo pacote de ajuda à Grécia

Ministra de Finanças da França, Christine Lagarde, conversa com diretor do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, durante reunião em Bruxelas, no sábado. Foto: AFP Direito de imagem AFP
Image caption Representantes da UE também decidirão sobre pagamento da quinta parcela de ajuda ao país

Ministros das Finanças da zona do euro dão início neste domingo, em Luxemburgo, a uma série de reuniões para discutir a crise da Grécia. Entre as prováveis soluções, está um segundo pacote de ajuda ao país, para evitar uma contaminação global.

Os ministros deverão discutir ainda a aprovação do pagamento da quinta parcela do empréstimo de 110 bilhões de euros, aprovado no ano passado para estancar a dívida pública grega.

Dos 12 bilhões de euros previstos para ser repassados no próximo dia 29, 3,3 bilhões devem vir do FMI - o resto sairá da União Europeia (UE).

A Grécia vem sendo pressionada em relação às medidas de controle de gastos exigidas pelo FMI e pela UE como contrapartida ao pacote. Enquanto os cortes são extremamente impopulares no país, gerando protestos da população, autoridades europeias consideram que o governo não está se esforçando para implementar o plano.

Caso a quinta parcela do pacote não seja aprovada, a Grécia corre o risco de decretar moratória de sua dívida, aumentando assim o custo dos empréstimos tomados por outros países europeus e levando a novos calotes, contaminando o sistema financeiro global.

Protestos

Enquanto isso, os gregos se preparam para um novo dia de protestos contra as medidas de controle dos gastos. Na próxima terça-feira, o Parlamento irá votar uma moção de desconfiança contra o novo gabinete, formado pelo primeiro-ministro George Papandreou.

O correspondente da BBC em Atenas Chris Morris afirma que os gregos estão fartos de ouvir sobre "austeridade", "recessão" e "dívida". Segundo Morris, ninguém acredita que o pacote tenha aliviado os problemas do país.

Muitos analistas se mostram céticos quanto à capacidade da Grécia para sair da crise, mesmo com mais um pacote de ajuda. Embora o governo diga que possa fazer isto, ele ainda deve convencer os gregos de que o esforço vale a pena, diz o correspondente da BBC.

Contaminação

Nesse sábado, o primeiro-ministro de Luxemburgo e diretor do grupo de ministros das Finanças da zona do euro, Jean-Claude Juncker, disse que a crise grega pode contaminar pelo menos outros cinco países europeus - incluindo Itália e Bélgica.

Em entrevista ao jornal alemão Süddeutsche Zeitung, Juncker afirmou ainda que a Alemanha estava "brincando com fogo" ao propor que investidores privados participem da ajuda financeira à Grécia, além dos governos dos países da zona do euro.

A chanceler alemã, Angela Merkel, pediu nesse sábado que os credores privados participem da ajuda à Grécia. Para Merkel, um novo pacote de resgate deve incluir um aporte “substancial” de bancos privados.

“Temos novamente de mostrar solidariedade (a Atenas) e também de incluir credores privados”, disse a chanceler, em Berlim.

Na última sexta-feira, Merkel e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, fizeram uma demonstração conjunta de apoio ao resgate grego, o que acalmou os mercados financeiros.

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