Refugiados sírios dizem que Exército está bloqueando sua fuga à Turquia

Atualizado em  19 de junho, 2011 - 15:51 (Brasília) 18:51 GMT
Mulher turca conversa com parente, um refugiado sírio, na região de fronteira entre os dois países (Reuters)

Milhares de sírios estão buscando abrigo na zona de fronteira com a Turquia

Cidadãos do norte da Síria alegaram neste domingo que o Exército do país está impedindo a fuga de refugiados sírios à Turquia.

Ativistas e refugiados afirmam que as tropas do regime de Bashar al-Assad fecharam a única padaria da cidade de Bdama, a 20 quilômetros da divisa com a Turquia e ponto de passagem para o país vizinho, atearam fogo a uma floresta nos arredores da cidade, realizaram dezenas de prisões e montaram postos de checagem, na tentativa de conter o êxodo dos sírios à Turquia.

O correspondente da BBC Matthew Price, que está próximo ao local, diz que muitos residentes de Bdama, que tem ao redor de 10 mil habitantes, estão com medo de voltar para suas casas.

Enquanto isso, a Turquia começou a fornecer ajuda humanitária aos mais de 10,5 mil refugiados sírios que já entraram em seu território, além dos que estão na zona fronteiriça.

Uma autoridade local diz que muitos sírios estão coletando alimentos para levar a familiares que permanecem no lado sírio, segundo a Associated Press.

Price relata que está crescendo o número de pessoas que tentam se abrigar na zona de fronteira, vindas principalmente de Bdama.

Muitas dizem ter decidido deixar a cidade após ouvir trocas de tiros, e agora se abrigam sob árvores e tendas na divisa turca, sem ter onde dormir.

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha enviou seu presidente, Jakob Kellenberger, à Síria, para discutir a crise humanitária que está se formando no país.

Kellenberger tem solicitado a Damasco que dê à Cruz Vermelha e ao Crescente Vermelho sírio acesso às pessoas presas e feridas desde o início dos protestos na Síria.

A ONU estima que ao menos 1.100 sírios já morreram desde o início das manifestações.

Relações com a Turquia

A Turquia tem condenado a repressão na Síria, enquanto Assad tenta combater uma onda de levantes populares que se inspira na Tunísia e no Egito e que já dura três meses.

A relações entre os dois países, tradicionalmente cordiais, foram severamente afetadas pela crise.

Ao mesmo tempo, as autoridades turcas temem que uma eventual saída de Assad do poder na Síria abra espaço para duros conflitos sectários dentro do país vizinho.

Uma das preocupações da Turquia diz respeito às minorias curdas: o temor de Ancara é que levantes entre essa população estimulem protestos semelhantes entre os curdos na Turquia.

A Associated Press informa que Assad deve proferir um discurso à nação nesta segunda-feira – na que será apenas sua terceira aparição pública desde que os protestos começaram no país.

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