Médicos acusados por protestos no Bahrein foram torturados, dizem famílias

Protesto popular no Bahrein na última sexta-feira (Reuters) Direito de imagem Reuters
Image caption País árabe é um dos que enfrentam onda de protestos antigoverno

Vinte médicos que estão sendo julgados no Bahrein por participar de protestos antigoverno foram torturados para fazerem confissões falsas, seus familiares disseram à BBC.

A mulher de um dos acusados contou que ele assinou uma confissão depois de ter sido forçado a passar três semanas de pé, algemado, sem poder dormir.

Os réus participaram de audiência judicial nesta segunda-feira, para responder por acusações de terem tomado o controle de um hospital durante protestos ocorridos em março.

O Bahrein é um dos países árabes que enfrentam manifestações populares por reformas políticas. Centenas de pessoas já foram presas no país em atos de repressão aos protestos.

Lista de crimes

Nesta segunda, os médicos compareceram à corte com uma aparência pálida e cansada.

Alguns se mostravam abatidos, com os olhos fixados em seus próprios pés, enquanto outros mantinham seu orgulho e encaravam seus acusadores. Eles chacoalhavam a cabeça a cada vez que eram lidas as acusações a que foram submetidos.

Os médicos são acusados de usar o maior hospital do Bahrein como base da oposição, em suposta tentativa de derrubar o regime bareinita.

A primeira testemunha de acusação os acusou de uma lista de crimes que inclui roubar sangue do banco do hospital e transportar armas em ambulâncias.

Mas entrevistas com parentes de diversos dos médicos revelaram fortes evidências de que muitos dos réus foram torturados.

Há poucas dúvidas de que os médicos de fato apoiaram demonstrações antigoverno no Bahrein, mas há indicativos de que estão sendo julgados de fato por terem denunciado à imprensa internacional a violenta repressão governamental que se seguiu a alguns protestos ocorridos no final de março.

Grupos de direitos humanos alegam que o fato de os réus estarem sendo processados em uma corte militar não é uma coincidência. Esses ativistas afirmam que a ala linha-dura do regime bareinita parece querer usar os casos dos médicos como exemplo do que pode acontecer com opositores.

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