Ajuda à Grécia é condicionada a aprovação de cortes de gastos

Protesto em Atenas contra pacote de corte de gastos Direito de imagem Reuters
Image caption Grandes protestos contra cortes de gastos foram realizados neste domingo em Atenas

Os ministros das Finanças dos países da zona do euro condicionaram a entrega de uma parcela de 12 bilhões de euros (cerca de R$ 27,4 bilhões) de ajuda à Grécia à adoção pelo país de mais cortes de gastos.

A decisão foi anunciada na madrugada desta segunda-feira, após uma reunião de sete horas em Luxemburgo.

Os participantes da reunião disseram que a Grécia poderá receber o dinheiro, que é parte do pacote de 110 bilhões de euros da União Europeia e do FMI, em julho.

Para receber o montante, no entanto, o Parlamento grego deverá aprovar um pacote de cortes de gastos de 28 bilhões de euros.

Os ministros europeus também concordaram com um segundo pacote de ajuda financeira à Grécia para evitar o risco de o país ser obrigado a declarar uma moratória no pagamento de suas dívidas.

Espera-se que o novo pacote, de até 120 bilhões de euros, tenha uma contribuição voluntária de investidores privados, aos quais se pedirá que comprem novos títulos de dívida grega para substituir outros com vencimento nos próximos meses.

Os ministros das Finanças da zona do euro esperam que o segundo pacote de ajuda à Grécia, cujos detalhes também devem ser anunciados em julho, seja capaz de garantir o financiamento do país até o final de 2014.

Protestos

A reunião em Luxemburgo ocorreu em meio aos grandes protestos na Grécia em oposição às medidas de cortes em discussão.

No Parlamento, o primeiro-ministro grego, George Papandreou, discursou para convencer os deputados a aprovar seu programa, que inclui aumentos de impostos, cortes de gastos e privatizações, com o objetivo de arrecadar 50 bilhões de euros até 2015.

“As consequências de uma falência abrupta ou de deixar o euro seriam imediatamente catastróficas para as famílias, para os bancos e para a credibilidade do país”, disse ele no início dos debates sobre o plano.

O Parlamento grego deve votar na terça-feira uma moção de desconfiança sobre o novo gabinete, reformado na última semana por Papandreou.

União nacional

“Para passar ao pagamento da próxima parcela, precisamos estar seguros de que o Parlamento grego aprovará o voto de confiança e o apoio ao programa, então a decisão (sobre o envio da nova parcela) será tomada no começo do mês de julho”, disse o ministro das Finanças da Bélgica, Didier Reynders, ao final da reunião em Luxemburgo.

Um comunicado divulgado pelos participantes pediu a todos os partidos políticos gregos o apoio “aos principais objetivos do programa e às principais medidas políticas para garantir uma implementação rigorosa e rápida”.

“Dados a extensão, a magnitude e a natureza das reformas necessárias na Grécia, a união nacional é um pré-requisito para o sucesso”, disse o comunicado.

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