Regime líbio acusa Otan de matar 15 civis em bombardeio

Local bombardeado nos arredores de Trípoli Direito de imagem AFP
Image caption Ministro das Relações Exteriores da Itália teme que Otan perda credibilidade junto à população líbia

Autoridades da Líbia acusaram nesta segunda-feira a Otan de matar 15 civis, entre os quais três crianças, durante um bombardeio a oeste da capital do país, Trípoli.

Segundo declarações de funcionários do governo, oito mísseis atingiram um prédio pertencente a Khweildy Al-Hamidy, um aliado próximo do líder líbio Muamar Khadafi e membro do Centro de Comando Revolucionário Líbio.

O correspondente da BBC em Trípoli Jeremy Bowen participou de uma visita organizada pelo governo líbio à área bombardeada, no subúrbio de Sorman. Segundo ele, o local ficou em ruínas.

Hamidy é um dos principais aliados de Khadafi desde o golpe que levou o coronel líbio ao poder, em 1969. Segundo membros do regime, ele escapou ileso do bombardeio.

Em um comunicado, a Otan confirmou o ataque da madrugada de segunda-feira em Sorman, mas não mencionou a existência de vítimas civis.

Não é a primeira vez que o regime acusa a Otan de matar inocentes. No domingo, a Otan reconheceu que um dos mísseis usados em um bombardeio anterior havia atingido uma área residencial e que uma “falha nos explosivos” poderia ter causado vítimas.

Crítica europeia

Também nesta segunda-feira, em um encontro da União Europeia em Luxemburgo, o ministro das Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, disse que a Otan estava colocando em risco sua reputação e legitimidade ao conduzir ataques com civis entre os mortos.

“A credibilidade da Otan está em risco”, disse Frattini.

O chanceler italiano disse que a aliança militar tem um poder de comunicação limitado com a população líbia e “não pode competir com a propaganda diária do coronel Khadafi”.

O bloco também anunciou que pode congelar bens e ativos de mais aliados do regime.

Na cidade de Benghazi (leste do país), principal reduto da oposição a Khadafi, líderes rebeldes reclamaram nesta segunda-feira da demora na transferência de doações ao grupo que luta contra o regime do coronel.

Por meio de nota, a União Europeia reconheceu a “necessidade urgente do CNT (Conselho Nacional de Transição, órgão formado pelos rebeldes)” de ter acesso às doações. O dinheiro poderia vir, inclusive, de futuros bens congelados.

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