Presidente sírio diz que protestos são obra de ‘sabotadores’ e mantém linha dura

Bashar al-Assad em discurso transmitido pela TV síria nesta segunda-feira Direito de imagem AFP
Image caption Discurso transmitio pela TV nesta segunda-feira foi o primeiro de Bashar al-Assad em dois meses

O presidente da Síria, Bashar al-Assad, afirmou nesta segunda-feira que os protestos contra o governo do país são obra de “sabotadores e terroristas” e disse que 64 mil pessoas são procuradas pelas autoridades.

As afirmações foram feitas em um discurso de mais de uma hora proferido na Universidade de Damasco e transmitido em rede nacional de TV.

O discurso foi o primeiro do presidente sírio em dois meses e apenas o terceiro desde o início dos protestos populares contra o governo, há três meses.

Ele afirmou que o governo deve ouvir as demandas populares por reformas políticas, mas afirmou que “uma fração pequena” estaria se aproveitando da insatisfação dos sírios com os rumos do país.

Al-Assad disse que as mortes durante os protestos populares são uma grande perda para o país e para ele pessoalmente, mas afirmou que os “sabotadores” que prejudicaram a imagem da Síria perante o mundo devem ser “isolados”.

“O que está acontecendo hoje não tem nada a ver com reforma, tem a ver com vandalismo”, afirmou Assad. “Não pode haver desenvolvimento sem estabilidade nem reforma através do vandalismo... Temos que isolar os sabotadores”, disse.

Protestos

A oposição estima que ao menos 1.300 civis já foram mortos e cerca de 10 mil foram presos nos três meses de protestos contra o governo.

Segundo eles, mais de 300 soldados e policiais também teriam sido mortos nos confrontos com manifestantes. O governo vem acusando “gangues terroristas armadas” pelas mortes.

Os manifestantes pedem reformas democráticas no país e a saída do presidente Al-Assad, que está no poder há quase 11 anos, depois de ter sucedido seu pai, Hafez al-Assad, que comandou a Síria por 30 anos.

A repressão aos protestos já levou cerca de 11 mil pessoas a deixar a Síria em direção à vizinha Turquia.

Al-Assad já prometeu uma série de concessões para tentar conter a insatisfação popular contra o governo, como a suspensão do estado de emergência que perdurava por décadas, mas os manifestantes afirmam que as medidas anunciadas são apenas simbólicas e não atendem suas demandas.

Reforma

No discurso desta segunda-feira, o presidente sírio anunciou a formação de um comitê para estudar a reforma da Constituição. Entre as possíveis mudanças, segundo ele, estaria o fim do regime de partido único.

Al-Assad afirmou esperar que o comitê deve apresentar suas propostas de reforma até o final do ano.

Ele disse ainda ter pedido ao ministro da Justiça que considere a expansão de uma recente anistia aos manifestantes opositores.

Segundo ele, 64 mil pessoas são procuradas pelas autoridades e algumas já se entregaram.

O presidente sírio também pediu aos milhares de habitantes do país que fugiram à Turquia que retornem às suas casas “o mais rapidamente possível”.

Ele se referiu um particular aos moradores da cidade de Jisr al-Shughour, cujo controle foi recentemente tomado pelas Forças Amadas após mais de cem membros das forças de segurança terem sido mortos na região.

“O Estado os protegerá. Ele está lá para protegê-los”, afirmou.

O discurso de Al-Assad foi proferido um dia após ativistas da oposição terem anunciado a criação de um comitê para coordenar os protestos contra o regime.

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