Governo grego enfrenta 'hora da verdade', diz Barroso

Manifestantes em frente ao Parlamento grego nesta terça-feira (AP) Direito de imagem BBC World Service
Image caption O governo grego enfrenta moção de desconfiança no Parlamento nesta terça-feira

O presidente da Comissão Europeia (órgão executivo da Uniao Europeia), o português José Manuel Barroso, afirmou nesta terça-feira que a Grécia enfrenta a "hora da verdade", às vésperas de uma votação crucial no Parlamento do país.

O governo grego será submetido a uma moção de desconfiança. Uma vitória nessa votação é considerada um passo crucial para que o país consiga obter um pacote de ajuda de 12 bilhões de euros (cerca de R$ 27 bilhões) da União Europeia e do FMI.

A Grécia precisa deste empréstimo para pagar sua dívida e, se o Gabinete montado pelo primeiro-ministro George Papandreou receber a aprovação dos parlamentares, o passo seguinte é convencer oposição e integrantes do partido do governo a implementar um novo pacote de austeridade fiscal, com cortes de benefícios, demissões de servidores e privatizações, estimados em 28 bilhões de euros (cerca de R$ 64 bilhões).

A União Europeia e o FMI prometem liberar o pacote de ajuda apenas depois da votação das medidas do plano de austeridade.

"É crucial que o novo governo grego receba a confiança do Parlamento hoje à noite (terça-feira) para que possa chegar ao consenso que o país precisa para reformas amplas", afirmou Barroso.

"Na próxima semana será a hora da verdade na qual a Grécia precisa demonstrar que está verdadeiramente comprometida ao pacote ambicioso de mais medidas fiscais e privatizações apresentado pelo governo do primeiro-ministro (George) Papandreou", acrescentou.

Se o governo grego não obtiver o voto de confiança, o premiê pode renunciar, levando à convocação de novas eleições e dificultando a aprovação do pacote de austeridade, marcada para o dia 28 de junho.

Manifestação

Milhares de manifestantes contrários ao plano de austeridade voltaram nesta terça-feira à praça em frente ao Parlamento, em Atenas.

Direito de imagem AFP
Image caption O premiê grego George Papandreou tem resistido à pressão pela sua renúncia

"A polícia grega nos trata como criminosos. Eu tinha minha própria empresa e tiver que fechar no começo de 2010. O clima econômico proíbe qualquer coisa nova. Vou continuar a voltar à Praça Sintagma para protestar", disse uma manifestante, Calliope Iris, à BBC.

O último protesto contra os cortes de despesa envolve os funcionários da empresa estatal de energia elétrica grega, que fazem uma greve de 48 horas.

O editor da BBC para Europa Gavin Hewitt, que está em Atenas, afirma que os ministros do governo disseram que, sem mais medidas de austeridade, a Grécia vai falir. No entanto, muitos gregos parecem preferir esta possibilidade do que a aplicação de mais cortes.

Muitos gregos defendem que o país deveria desistir de pagar suas enormes dívidas, avaliadas em 150% de seu PIB anual. Se isso acontecer, a Grécia provavelmente teria que deixar o grupo de 17 países que adotam o euro como moeda.

Polêmica

Para o integrante britânico do Parlamento europeu Daniel Hannan, empréstimos não ajudam o povo grego.

“Isso não é um auxílio à Grécia, não é assim que as pessoas enxergam isso lá. Eles entendem perfeitamente bem o que o pacote de ajuda significa: que o dinheiro vai para banqueiros europeus, mas o pagamento da dívida sai do bolso dos contribuintes gregos. Então, longe de estar recebendo ajuda, a Grécia está é sendo sacrificada para salvar o euro”, disse ele.

Já Olli Rehn, comissário de Assuntos Financeiros da União Europeia, pediu que a Grécia dê continuidade a suas medidas de austeridade.

“Uma grande responsabilidade está nos ombros do novos governo grego”.

Rehn disse ainda que a crise na Grécia é a pior vista na Europa “desde a Segunda Guerra Mundial”.

Novo pacote

No domingo, os ministros das Finanças da Zona do Euro também aprovaram formalmente, sob certas condições, um novo pacote de ajuda à Grécia, semelhante ao primeiro, de 110 bilhões de euros, que já havia sido acertado em maio do ano passado.

O novo pacote, que seria detalhado em Julho, incluirá empréstimos de outros países da Zona do Euro.

Também há expectativa de que investidores privados contribuam, comprando novos títulos da dívida grega.

Autoridades disseram que o novo plano financiaria a Grécia até o fim de 2014, evitando a moratória, que representaria grandes perdas para bancos europeus que têm títulos da dívida grega, entre eles o Banco Central Europeu.

Ainda nesta terça-feira, inspetores da UE e do FMI visitam Atenas no que foi descrito pela Comissão Europeia como uma “missão técnica”.

Notícias relacionadas