Orçamento olímpico já tem de ser definido no Rio, diz ministro britânico

O vice-premiê britânico, Nick Clegg (esq), com o prefeito do Rio, Eduardo Paes (Reuters) Direito de imagem Reuters
Image caption Vice-premiê britânico (à esq, com Eduardo Paes) participou de debate sobre legado olímpico no Rio

O Rio deve planejar seu orçamento olímpico o quanto antes e decidir quais grandes projetos quer implantar para os Jogos hoje, já que em breve será tarde demais.

As recomendações, dadas pelo ministro britânico de Cultura, Esporte e Olimpíada, Jeremy Hunt, tocaram em alguns dos principais temas levantados em uma conferência sobre os Jogos Olímpicos realizados no Rio: planejamento, prazos, dinheiro.

“As decisões que vocês tomarem agora vão ser as mais importantes para o legado olímpico. Vocês não vão poder anunciar grandes projetos em 2014 ou 2015. Tem que ser agora”, avisou.

Ao lado do vice-premiê britânico, Nick Clegg, Hunt participou da abertura da conferência “De Londres ao Rio de Janeiro – Um legado olímpico”, que reuniu autoridades e especialistas do Rio e de Londres envolvidas na organização dos jogos para trocar experiências.

“É um momento excelente para a gente se juntar e compartilhar com vocês o que aprendemos, o que fizemos certo, o que fizemos errado”, disse Clegg no suntuoso Palácio da Cidade – que foi embaixada do Reino Unido antes de virar residência oficial dos prefeitos do Rio.

De acordo com Hunt, Londres aprendeu que a primeira coisa a ser feita para planejar uma Olimpíada é organizar o orçamento “logo de saída”; caso contrário, a maioria das discussões que se terá depois será sobre dinheiro. “Nós não fizemos e tivemos que revisar nosso orçamento em 2007. Felizmente revisamos de maneira realista, e tudo vai ficar dentro dos planos”, disse.

'Realismo'

Apontado presidente do Conselho Público Olímpico na semana passada, Henrique Meirelles disse que Hunt apontou para um aspecto “fundamental”.

“Primeiro, a confecção do orçamento tem que ser realista. E ele tem que ser cumprido. É uma experiência nova, porque é um projeto complexo, de grande diversidade técnica, e as datas de inauguração têm que ser cumpridas rigorosamente e exigem uma colaboração dos três níveis de governo. Essa coordenação é fundamental”, disse o ex-presidente do Banco Central.

Meirelles elogiou a indicação de Márcio Fortes, ex-ministro das Cidades, para presidir a Autoridade Pública Olímpica (APO), cargo para o qual fora cogitado inicialmente, hierarquicamente abaixo do que acabou ocupando. Sua nomeação, agora, “só vai depender do Senado”, disse.

“Vamos fazer todo o processamento de decisão necessário para poder executar uma Olimpíada que não só tenha sucesso e seja eficiente, mas cujos custos sejam também motivo de orgulho do país, e não de aborrecimento.”

Perguntado sobre os problemas com o orçamento dos Jogos Panamericanos, de 2007, que superaram em muito a previsão inicial, ele disse que os jogos são “algo que servem para nós como modelo de aprendizado”.

Ele ressalta a importância de trabalhar em sintonia com o futuro presidente da APO, com o Comitê Rio 2016 e com as três esferas de governo para garantir agilidade

“O segredo da olimpíada é manter o cronograma. É um cronograma intenso, curto, que não pode atrasar. Portanto, essa divisão de trabalho é fundamental”, afirma.

Na abertura do evento, o prefeito Eduardo Paes ressaltou a importância de pensar nos jogos como “elemento catalisador das mudanças no Rio”. De acordo com o prefeito, o legado a ser deixado vai além daquele “palpável”, materializado em transformações urbanas; abrange também o amadurecimento do país “no que diz respeito à própria cultura de organizar”.

“O Brasil é um país que está aprendendo a planejar, que está aprendendo a lidar com uma data para entregar as coisas”, afirma. “Temos muito orgulho do nosso país. Mas chegou a hora de mostrarmos que este é um país viável, um país possível, que estamos fazendo as coisas da maneira adequada.”

UPP

Em visita ao Brasil desde terça-feira, Nick Clegg passou a quarta-feira no Rio. De manhã, participou da abertura de uma conferência na Petrobras e conheceu a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, onde lançou um projeto de futebol para jovens com selo da Premier League, a liga de clubes britânica. Ele destacou a intenção do Reino Unido de fortalecer as relações com o Brasil.

“O Brasil é um país enorme, com uma importância que cresce a cada dia. A relação entre o Reino Unido e o Brasil não tem sido tão forte como deveria. O país está se firmando como uma grande potência na nova ordem mundial, e queremos ter uma parceria forte para o futuro.”

Clegg encerra a visita com um coquetel no Copacabana Palace na noite desta quarta-feira, para comemorar o aniversário da Rainha Elizabeth 2ª.

Notícias relacionadas