Crise grega ameaça sistema financeiro mundial, diz chefe do Fed

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Image caption Bernanke: recuperação da economia americana é mais lenta do que o esperado.

O presidente do Fed (Federal Reserve, o Banco Central americano), Ben Bernanke, disse nesta quarta-feira que a crise na Grécia pode ameaçar o sistema financeiro mundial.

"Um fracasso em resolver essa situação ameaçaria os sistemas financeiros europeus, o sistema financeiro global e a união política europeia", disse Bernanke, em entrevista coletiva em Washington.

Segundo o presidente do Fed, os Estados Unidos estão em contato direto com seus colegas europeus para acompanhar a situação.

Bernanke fez as declarações após uma reunião do Fomc (Federal Open Market Committee, órgão equivalente ao Comitê de Política Monetária brasileiro), na qual foi decidido manter a taxa de juros americana em entre 0% e 0,25%.

Segundo o Fed, a taxa, que permanece inalterada desde dezembro de 2008, deverá continuar neste patamar por um longo período.

Crescimento

O Fed também reduziu sua previsão de crescimento da economia americana em 2011, para entre 2,7% e 2,9%. A projeção anterior, divulgada em abril, era de entre 3,1% e 3,3%.

Segundo Bernanke, a recuperação da economia americana está ocorrendo em um ritmo menor do que o esperado.

"A recuperação econômica parece estar ocorrendo em um ritmo moderado, apesar de um pouco mais lento do que o comitê esperava, e alguns indicadores recentes do mercado de trabalho também foram mais fracos do que o esperado", disse.

"Por exemplo, a taxa de desemprego aumentou 0,3 ponto percentual desde março", afirmou, ao citar também o aumento de novos pedidos de seguro desemprego.

A taxa de desemprego nos Estados Unidos é de 9,1%, e o Fed prevê que desça a um patamar entre 8,6% e 8,9% até o final do ano.

O Fed também prevê inflação de entre 2,3% e 2,5% neste ano.

Bernanke disse que o lento ritmo da recuperação americana se deve em parte a fatores temporários, como os preços das commodities e os efeitos do terremoto e do tsunami que atingiram o Japão em março e tiveram impacto sobre o setor manufatureiro nos Estados Unidos.

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