Ministros do G20 tentam acordo para reduzir variação no preço das commodities

Campo de trigo na Rússia. Foto: Reuters Direito de imagem Reuters
Image caption Brasil apoia plano; ministro francês da Agricultura diz que divergências dificultam acordo

Ministros da Agricultura do G20 (grupo que reúne as economias mais ricas do mundo) começaram a discutir nesta quarta-feira em Paris a proposta francesa, apoiada pelo Brasil, para reduzir a volatilidade nos preços das commodities.

No entanto, "divergências profundas" no grupo dificultam as chances de realização de um acordo, diz o ministro francês da Agricultura, Bruno Le Maire.

Esta é a primeira vez que o G20, que reúne 85% da produção agrícola mundial, discutirá questões específicas sobre o setor agrícola.

A França, que preside o grupo neste ano, estabeleceu a luta contra a volatilidade dos preços das matérias-primas e o reforço da segurança alimentar como prioridades de sua gestão no G20.

A iniciativa francesa ganhou o apoio do Brasil após reiterar que a proposta não prevê o controle dos preços agrícolas, mas sim aspectos como a maior transparência dos estoques mundiais e formas de reduzir a especulação nos mercados de derivativos de commodities,

"O Brasil concorda com todos os itens, a começar pela disponibilidade total dos dados de produção e de estoques", disse na manhã desta quarta-feira o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, que está em Paris.

Ele afirma que um mecanismo capaz de conter a volatilidade "é o aumento da oferta da produção", que vem sendo também defendida por organizações internacionais.

Monitoramento

A proposta francesa para lutar contra a volatilidade das commodities prevê o monitoramento da produção agrícola e da previsão do tempo, por meios da integração de satélites, o aprofundamento de pesquisas sobre o trigo, uma reserva alimentar humanitária de emergência e o combate à especulação nas bolsas de matérias-primas.

A maior transparência dos mercados físicos, com a criação do chamado Sistema de Informação dos Mercados Agrícolas (SIMA), com dados sobre os níveis mundiais de produção, consumo e estoques, enfrenta resistência por parte da China e da Índia.

Os dois países afirmam que essas informações estratégicas colocam em jogo sua soberania. Eles poderiam, no entanto, aceitar fornecer esses dados, que já são disponibilizados pelo governo brasileiro, em troca de ajuda técnica.

A questão da regulação dos mercados futuros de commodities também divide os países do G20. A França deseja restringir as operações puramente financeiras, que contribuem para a alta dos preços.

Mas países como Grã-Bretanha e Austrália se opõem à proposta, afirmando que as medidas poderiam causar problemas ao funcionamento dos mercados.

No G20 agrícola, que vai até quinta-feira, os ministros deverão somente ressaltar que a regulação dos mercados de derivativos é importante para o bom desempenho dos mercados físicos de commodities, já que a decisão a respeito deverá ser tomada pelos ministros das Finanças do grupo no final do ano.

Outro ponto polêmico, segundo o ministro francês, é o compromisso que os países deveriam assumir de não reduzir suas exportações para não desestabilizar o mercado mundial.

No ano passado, a Rússia suspendeu suas exportações de trigo em razão de problemas de incêndios e seca no país, o que acarretou a explosão dos preços mundiais do produto.

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