Adolescente britânico é indiciado por ciberataques

Atualizado em  22 de junho, 2011 - 19:23 (Brasília) 22:23 GMT
Página da CIA após aparente ataque hacker no último dia 15 (Reuters)

Ryan Cleary é suspeito de elo com grupo hacker LulzSec, acusado de ter atacado site da CIA

O jovem britânico Ryan Cleary, de 19 anos, foi indiciado nesta quarta-feira por cinco crimes relacionados a computadores, entre eles um ciberataque contra o site da agência britânica de investigação de crimes organizados graves.

Cleary é suspeito de ligação com o grupo de hackers Lulz Security (conhecido como LulzSec), que já diz ter atacado sites como da Sony Pictures, da rede online de videogames da Sony e de órgãos ligados ao governo americano. O braço brasileiro do grupo, o LulzSecBrazil, reivindicou responsabilidade nesta quarta-feira por um ataque ao site da Presidência da República.

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As autoridades britânicas não confirmaram o envolvimento do jovem na organização criminosa virtual, e o Lulz também negou ter Cleary entre seus membros.

Mas, segundo o analista de segurança da BBC Frank Gardner, a unidade de crimes virtuais da polícia admitiu que a prisão do jovem está relacionada a uma investigação sobre os ataques – reivindicados pela Lulz – contra o site da agência de crimes organizados.

O britânico foi indiciado com base em uma lei sobre uso indevido computadores e tem audiência agendada para esta quinta-feira. Ele é acusado de conspiração com desconhecidos para promover ataques contra websites.

Cleary havia sido detido na véspera em sua casa, no condado de Essex (sudeste da Inglaterra), e seu computador foi apreendido pelos policiais, para tentar descobrir se ele teve participação no ataque virtual à Sony.

‘Introvertido’

Em entrevista a uma rádio local da BBC, a mãe de Ryan descreveu o filho como uma pessoa “introvertida” que passava a maior parte do seu tempo diante do computador e que não gostava muito de sair de casa.

Segundo ela, “os computadores são o seu mundo”.

Ele teria dito à mãe, ao ser detido, que tinha medo de ser extraditado.

A Scotland Yard (polícia metropolitana de Londres) afirmou que a operação que resultou na prisão de terça-feira ocorreu depois de uma série de ataques por um mecanismo chamado DDoS (distributed denial-of-service attack, ou “ataque distribuído de negação de serviço”, em tradução livre), que sobrecarrega os sites e faz com que as páginas saiam do ar.

Autoridades descreveram a prisão de Cleary como “significativa”, alegando preocupações com “a gama de cibercrimes, da (obtenção ilícita) de informações pessoais a como um pedófilo pode entrar no quarto de uma criança”.

Site da Presidência brasileira

Também nesta quarta, o site da Presidência do Brasil foi atacado, e o LulzSecBrazil, indicou, pelo Twitter, ser responsável pela ação.

Os ataques também teriam sido feitos pelo mecanismo DDoS.

Em suas primeiras manifestações públicas, em maio, o grupo autodenominado Lulz Security se descrevia como uma organização bem-humorada para criar divertimento online.

Desde então, no entanto, o grupo alvejou os sites das redes americanas PBS e Fox e empresas de games online, como a Sony, da qual foram roubados dados confidenciais de milhares de usuários.

O site da CIA também teria sido atacado pelo Lulz, que, segundo relatos, estaria tentando rivalizar com outro grupo hacker, chamado Anonymous, envolvido na divulgação de documentos pelo WikiLeaks.

Em sua conta no Twitter, o Lulz declarou sua intenção de invadir sites governamentais e vazar documentos sigilosos.

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