Chanceler da Síria diz que UE gera ‘confusão' e 'caos’ no país

Walid Moallem/AFP Direito de imagem BBC World Service
Image caption Moallem disse querer manter boas relações com a vizinha Turquia

O ministro das Relações Exteriores sírio, Walid Moallem, acusou nesta quarta-feira países da União Europeia de causar confusão e caos na Síria e indicou que seu país irá “esquecer” a existência da Europa, buscando alianças com outros países.

"Dizemos para quem nos critica na Europa que parem de interferir em assuntos sírios e fomentar a confusão com o objetivo de aplicar seus planos contrários aos interesses nacionais da Síria", disse ele.

"Ninguém da Europa veio visitar a Síria, eles não nos escutam. O mundo não é só a Europa."

"Esqueceremos que a Europa existe no mapa. Vamos requisitar nossa saída da Euromed e olharemos em direção ao leste e ao sul, (em busca de) qualquer mão que se estenda para nós", continuou.

A Euromed é uma entidade reformulada em 2008 para integrar a União Europeia e seus 16 vizinhos no Oriente Médio e no Norte da África.

O ministro também criticou as declarações feitas por autoridades europeias após o pronunciamento de segunda-feira do presidente sírio Bashar Al-Assad, no qual disse que a crise no país seria obra de "sabotadores" e que seu governo estudaria reformas.

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O chanceler britânico, William Hague, classificou o discurso de "não convincente"; a chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton, disse estar "desapontada"; o ministro francês, Alain Juppé, afirmou acreditar que "Assad chegou a ponto de onde não se pode mais voltar".

"Ocorreram reações de autoridades europeias em relação ao discurso do presidente Bashar Al-Assad que mostram que eles têm um plano de levar o caos para a Síria", disse o ministro das relações exteriores da Síria.

Sanções

As declarações foram feitas em um momento em que ministros europeus reunidos em Bruxelas parecem ter chegado a um consenso sobre a ampliação de sanções em vigor desde maio contra a Síria, por causa da violência contra manifestantes de oposição.

O acordo deve estender as sanções a mais quatro entidades militares e sete indivíduos, incluindo três iranianos supostamente ligados a repressão de dissidentes do regime sírio. O governo sírio nega que o Irã tenha qualquer participação nos recentes acontecimentos no país.

As sanções entrariam em vigor na sexta-feira após a aprovação dos 27 países membros da União Europeia.

Moallen comparou a adoção das medidas a uma “declaração de guerra”. "As sanções europeias têm como alvo o sustento dos cidadãos sírios”, afirmou.

Ativistas de oposição estimam que ao menos 1,3 mil civis já foram mortos e cerca de 10 mil foram presos na repressão aos protestos pró-democracia na Síria, que começaram em março. Cerca de 300 soldados e policiais também teriam sido mortos nos confrontos com manifestantes.

O medo da violência já levou cerca de 11 mil pessoas a deixar a Síria em direção à vizinha Turquia.

Bashar Al-Assad está no poder há quase 11 anos, depois de ter sucedido seu pai, Hafez Al-Assad, que comandou a Síria por 29 anos.

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