França segue EUA e anuncia retirada do Afeganistão

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Image caption Soldados americanos no norte do Afeganistão

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, anunciou nesta quinta-feira uma retirada gradual dos quatro mil soldados do país servindo no Afeganistão.

O anúncio foi feito horas após o presidente dos EUA, Barack Obama, ter anunciado um cronograma de retirada de soldados americanos do país.

O Palácio do Eliseu afirmou que Obama e Sarkozy conversaram na quarta-feira por telefone. A retirada dos cerca de quatro mil soldados franceses do Afeganistão será gradual e acontecerá de forma "proporcional e de maneira semelhante à retirada dos reforços americanos", afirmou nota do Palácio do Eliseu.

Segundo o governo francês, a retirada começará nos próximos meses.

Sarkozy ressaltou que a França concordava com a estratégia e os objetivos americanos, e "estava feliz com a decisão do presidente Obama".

Na noite de quarta-feira, Obama anunciou um cronograma que prevê a retirada das tropas americanas do Afeganistão, em um ritmo mais rápido do que o esperado por analistas. O anúncio foi feito em meio a um deficit recorde no orçamento e à crescente perda de apoio popular à guerra.

Obama afirmou que 10 mil soldados deixarão o país ainda este ano, com outros 23 mil em retirada até o fim de setembro de 2012.

Esse contingente faz parte dos 33 mil soldados extras enviados ao país por Obama no fim de 2009. Segundo o presidente, até setembro de 2012 todos esses soldados terão voltado para casa.

Os Estados Unidos têm atualmente cerca de 100 mil soldados no Afeganistão. Obama não deu detalhes, porém, sobre os planos para retirar os cerca de 68 mil restantes.

O presidente afegão, Hamid Karzai, deu as boas-vindas à medida, mas o grupo Talebã disse que a retirada era "simbólica", e ameaçou continuar seu combate até que todas as forças estrangeiras saiam do país.

Transição

Obama deseja transferir as ações de segurança para forças afegãs de maneira gradual até o fim de 2014.

O presidente disse que, após o retorno dos 33 mil soldados iniciais, as tropas americanas continuarão a voltar para casa em um ritmo estável, à medida que as forças de segurança afegãs assumam a liderança.

“Nossa missão vai mudar de combate para apoio. Até 2014, esse processo de transição estará completo, e o povo afegão será responsável por sua própria segurança”, disse.

Obama ressaltou que está cumprindo a promessa feita quando anunciou o reforço das tropas no Afeganistão.

Divisões

No entanto, há grandes divisões dentro do governo americano sobre a rapidez com a qual os militares devem deixar o Afeganistão.

Os planos anunciados nesta quarta-feira envolvem uma retirada maior e mais rápida do que a recomendada por alguns comandantes, que defendem uma redução limitada das forças americanas no país asiático, como modo de evitar um possível retrocesso no combate ao Talebã.

O próprio secretário de Defesa, Robert Gates – que deverá deixar o cargo no fim do mês –, alertou recentemente que o progresso conquistado até agora pode estar ameaçado caso a retirada não ocorra de modo “organizado e coordenado”.

A opinião pública, porém, vem demonstrando crescente rejeição à presença no Afeganistão, sentimento que aumentou ainda mais após a morte do líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden – morto no início de maio em uma operação militar americana no Paquistão.

A pressão é agravada pela lenta recuperação econômica dos Estados Unidos, que enfrentam deficit recorde de US$ 1,4 trilhão (cerca de R$ 2,2 trilhões) no orçamento, o risco de ultrapassar o limite da dívida pública, que já atingiu o teto de US$ 14,3 trilhões (cerca de R$ 22,7 trilhões), e a necessidade de cortar gastos.

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