Netanyahu anuncia fim de 'privilégios' de detentos palestinos

primeiro ministro de Israel, Binyamin Netanyahu Direito de imagem AFP
Image caption Netanyahu anunciou que presos palestinos não mais poderão estudar por correspondência

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, afirmou nesta quinta-feira que os "privilégios" dos prisioneiros palestinos que se encontram nas cadeias israelenses serão cancelados e que "acabou a festa" do que ele qualificou como "condições exageradamente boas para os terroristas".

O anúncio do premiê foi feito poucas horas depois de o grupo palestino Hamas, que controla a Faixa de Gaza, ter rejeitado o pedido do Comitê Internacional da Cruz Vermelha para que forneça provas de que o soldado israelense Gilad Shalit, preso há quase cinco anos e mantido refém em um local secreto na Faixa de Gaza, está vivo.

A Cruz Vermelha acusou o Hamas de estar violando a lei internacional ao não permitir visitas de representantes da organização ao soldado capturado e impedir o contato entre ele e sua família.

Leia mais na BBC Brasil: Cruz Vermelha quer prova de que soldado israelense Gilad Shalit está vivo

Neste sábado, a captura de Shalit completa cinco anos. Ele foi preso por militantes palestinos enquanto fazia uma patrulha perto da fronteira da Faixa de Gaza, no dia 25 de junho de 2006.

Pressão

De acordo com analistas locais, o endurecimento das condições dos prisioneiros palestinos nas cadeias israelenses tem o objetivo de levar os parentes dos presos a pressionar o Hamas a libertar Shalit.

Entre outras medidas anunciadas estão o cancelamento do direito dos presos de estudar por correspondência e a redução do número de visitas e telefonemas.

"Não haverá mais mestres de assassinato e doutorandos de terror", afirmou Netanyahu em um discurso em Jerusalém.

Durante os últimos cinco anos, o governo israelense manteve negociações indiretas com o Hamas sobre a troca de prisioneiros palestinos por Shalit, porém sem chegarem a um acordo.

As negociações, realizadas por mediadores egípcios e alemães, chegaram a um impasse e, segundo a imprensa local, não parece existir "uma luz no fim do túnel".

O último sinal de vida de Shalit foi fornecido em 2009, por intermédio de um vídeo que o Hamas concordou em entregar em troca da libertação de 20 prisioneiras palestinas.

Ao rejeitar o pedido de um novo sinal de vida, um dos líderes do Hamas, Salah El Bardawil, declarou que o grupo dará mais informações sobre Shalit "somente em troca da libertação de prisioneiros palestinos".

‘Truques’

O Hamas também criticou a Cruz Vermelha e acusou a organização internacional de colaborar com o que chamou de "truques" de Israel. De acordo com o Hamas, Israel estaria manipulando a organização para detectar o local onde se encontra o soldado.

Desde a captura de Shalit, o Hamas não alterou as condições para libertá-lo e continua exigindo a soltura de mil prisioneiros palestinos, entre eles 450 que o governo de Israel considera mais perigosos e acusa de envolvimento em mortes de civis israelenses.

Alguns desses prisioneiros foram acusados de planejar atentados suicidas que mataram dezenas de civis israelenses e condenados a penas de prisão perpétua.

Depois de cinco anos de cativeiro, aumenta a pressão dentro da sociedade israelense para que Netanyahu aceite as condições do Hamas e proporcione, finalmente, a libertação de Shalit.

De acordo com uma pesquisa de opinião, 63% dos israelenses acham que o governo deve pagar o preço exigido pelo Hamas.

Troca de prisioneiros

O principal argumento do governo contra essa posição é que a libertação dos prisioneiros considerados mais perigosos colocaria em risco a vida de mais civis israelenses, pois, depois de libertados, eles poderiam voltar a cometer atentados.

No entanto, vários especialistas em segurança apoiam a troca de prisioneiros.

Entre eles está o ex-chefe do Estado-Maior do Exército israelense, general Amnon Lipkin Shahak, que afirmou que "o Exército é suficientemente forte para enfrentar os terroristas, caso tentem voltar a cometer atentados" e declarou que um soldado que foi enviado ao serviço militar não pode ser abandonado no cativeiro.

O avô do soldado, Tzvi Shalit, disse nesta quinta-feira à radio estatal Kol Israel que Netanyahu poderia libertar seu neto fazendo "apenas um telefonema" e acusou o premiê de ser "cruel e insensível".

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