Colombiana encara ladrões e alerta turistas contra furtos em Barcelona

Atualizado em  27 de junho, 2011 - 05:46 (Brasília) 08:46 GMT
Eliana Guerrero em estação do metrô de Barcelona (foto: Jornal 20 Minutos/Fotógrafo: Hugo Férnandez)

Guerrero carrega um cartaz e um apito para alertar turistas no metrô de Barcelona

Uma imigrantes colombiana faz patrulhas diárias nas linhas de metrô de Barcelona, com um apito e um cartaz, encarando ladrões e alertando turistas.

Eliana Guerrero, 38 anos, afirma que estava indignada e cansada com a quantidade de roubos no metrô da cidade espanhola. No entanto, ela não sabe tem treinamento em técnicas de luta corpo a corpo, não anda armada e nem tem formação ou autorização para ser vigilante.

No entanto ela é tolerada pela polícia da Catalunha, que recentemente elogiou a coragem da imigrante, explicando que o governo local está se esforçando para melhorar as condições de segurança pública para que figuras como ela não sejam necessárias no dia a dia dos usuários do metrô da cidade.

A frequência de roubos nos transportes públicos de Barcelona é tão alta que já ganhou um grupo no Facebook, o "Hartos de Los Carteristas Metro L1-L2-L5 de Barcelona" ("Fartos dos Batedores de Carteira nas Linhas 1, 2 e 5 do Metrô de Barcelona", em tradução livre).

De acordo com as estatísticas da polícia, por dia são feitas 60 queixas de furtos no metrô. Mas a estimativa é que o número total (juntando os furtos não denunciados) chegue os 150 por dia.

Os policiais alegam que o problema é que a Justiça espanhola não considera estes roubos como crimes graves.

Para o Código Penal espanhol o ladrão só fica preso se for pego em flagrante e com mais de 400 euros (cerca de R$ 1 mil). Sem estas condições o delito é considerado leve.

Quem é pego vai para a delegacia, é registrado e liberado em seguida.

Em 2010 foram registrados 5.264 roubos em Barcelona, cidade com 1,7 milhão de habitantes e que recebe por ano 7 milhões de turistas, de acordo com estatísticas do governo.

Cartaz

Guerrero começou a atuar como patrulheira voluntária no metrô há três anos, de forma esporádica e durante suas viagens habituais.

Quando a colombiana via um batedor de carteiras, gritava para alertar as vítimas que, em sua maioria, era de turistas estrangeiros.

Nos últimos meses a patrulha ficou mais organizada. Guerrero agora usa um apito e um cartaz de alerta em quatro idiomas (espanhol, inglês, alemão e italiano).

A imigrante fez o cartaz e distribui cópias dele nas três principais linhas do metrô de Barcelona.

Com esta técnica, Guerrero afirma evitar, em média, cinco furtos por dia. No entanto, ela gasta cerca de R$ 200 por mês em fotocópias do cartaz para distribuir entre os passeiros. Além disso, ela também sofre com a ameaça dos ladrões que atuam no transporte.

A vigilante voluntária diz que escuta palavrões além de já ter levado mais de um tapa, arranhões, puxões de cabelo, ameaças e até ofertas de suborno.

"Me dariam mil euros (cerca de R$ 2,4 mil) para eu parar de alertar os turistas. Outro me ofereceu 20 euros (aproximadamente R$ 50) por cada turista que eu deixasse ser roubado", disse a colombiana à imprensa catalã.

De tanto circular pelo metrô de Barcelona sozinha, Guerrero afirmou que já conhece os ladrões, sabe como se escondem das câmeras de segurança e também ficou amiga dos policiais.

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