Pais de Shalit se acorrentam na casa de premiê de Israel

Da esquerda para a direita: Yoel, Noam e Aviva Shalit, irmão, pai e mãe de Gilad/AFP Direito de imagem BBC World Service
Image caption Os pais do soldado culpam Netanyahu pelo fracasso nas negociações

Os pais do soldado israelense Gilad Shalit invadiram neste sábado o espaço cercado pela polícia ao redor da residência do primeiro-ministro do país, Binyamin Netanyahu, e se acorrentaram no local, exigindo a libertação imediata do filho.

O protesto ocorre no dia do aniversário de cinco anos da captura de Shalit, então com 19 anos, por militantes palestinos. Os pais dizem estar "fartos dessa situação".

"Cinco anos é tempo mais do que suficiente para se realizar negociações e trazer Gilad de volta", afirmou a mãe, Aviva.

O avô do soldado, Tzvi Shalit, que aderiu ao protesto e também se acorrentou, acusou o premiê de ser "o único que impede a libertação de Gilad e assim o está matando lentamente". Segundo o avô, Netanyahu "sabotou o acordo com o Hamas".

Troca

O grupo Hamas, que controla a Faixa de Gaza, exige que Israel liberte mil prisioneiros palestinos em troca de Shalit.

Entre eles, estão 450 que Israel considera especialmente perigosos, acusados de envolvimento em atentados que mataram dezenas de civis israelenses.

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Image caption A maioria dos israelenses seria a favor da troca de prisioneiros

Alguns deles foram condenados à prisão perpétua.

As negociações sobre a troca de prisioneiros, conduzidas por mediadores egípcios e alemães, chegaram a um impasse.

Israel não concorda em libertar todos os prisioneiros mencionados na lista apresentada pelo Hamas e exige que vários dos detentos, uma vez soltos, não retornem à Cisjordânia, argumentando que poderiam voltar a cometer atentados.

O Hamas, que não alterou as condições que impôs para libertar Shalit nesses cinco anos, rejeita a exigência israelense de que vários prisioneiros sejam transferidos para a Faixa de Gaza ou para o exterior e insiste na libertação de todos os detentos mencionados na lista.

O ministro da Defesa, Ehud Barak, afirmou que o governo deve fazer todos os esforços para libertar o soldado "mas não a qualquer preço".

Discordância

No entanto, vários especialistas em segurança discordam dos argumentos do governo contra a troca dos prisioneiros.

Entre eles está o ex-chefe do Estado Maior do Exército israelense Amnon Lipkin Shahak, que declarou que "o Exército é suficientemente forte para enfrentar os terroristas, se tentarem voltar a cometer atentados".

Shahak também disse que "um soldado que foi enviado ao serviço militar não pode ser abandonado no cativeiro".

O ex-chefe do Mossad Dany Yatom e o ex-chefe do serviço de Inteligência interna Ami Ayalon também defendem o acordo com o Hamas para libertar Shalit.

Ambos aderiram ao protesto de intelectuais israelenses renomados que exigem que Netanyahu aceite as condições do Hamas e liberte o soldado imediatamente.

Yatom e Ayalon participaram neste sábado de um ato de protesto no qual dezenas de artistas e escritores entraram em um "calabouço" montado em um estúdio cinematográfico para demonstrar sua identificação com Shalit.

De acordo com uma pesquisa de opinião 63% dos israelenses apoiam a troca de prisioneiros palestinos por Shalit.

Para o analista militar do site Ynet Ron Ben Ishai, "Shalit é o filho de todos os israelenses, mas o dilema sobre sua libertação também é de todos os israelenses".

O Hamas marca neste sábado os cinco anos desde a captura do soldado, divulgando um vídeo com os dizeres "Shalit não verá a luz do dia antes de nossos prisioneiros".

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