Americana condenada por morte que chocou a Itália volta a tribunal

Amanda Knox (AP) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Knox afirmou estar 'chocada e angustiada' durante julgamento

A americana Amanda Knox e seu ex-namorado Raffaele Sollecito, condenados pelo assassinato de uma estudante britânica em crime que chocou a Itália em 2007, voltaram a um tribunal nesta segunda-feira após recorrerem da condenação.

Knox, de 23 anos, e Sollecito, 26, já foram condenados a 26 e 25 anos de prisão pelo assassinato da britânica Meredith Kercher.

Durante a audiência em Perugia, o terceiro condenado pelo assassinato, o traficante de drogas Rudy Guede, voltou a acusar os dois pelo crime.

Em depoimento, Guede disse que "esta garota esplêndida, maravilhosa (Kercher), foi morta por Raffaele Sollecito e Amanda Knox".

Guede disse também que sempre acreditou que Sollecito e Knox eram os responsáveis pelo crime.

"Eu sempre disse quem estava naquela casa durante aquela noite amaldiçoada", disse Guede à corte.

Ele havia sido condenado a 30 anos de prisão mas, depois de um recurso, teve a sentença reduzida para 16 anos.

Companheiro de cela

Guede ainda negou ter assumido toda a responsabilidade do crime para um companheiro de cela.

No dia 18 de junho, o companheiro de cela de Guede, Mario Alessi, disse que Guede lhe confidenciou que Knox e Sollecito eram inocentes.

Segundo Alessi, Guede contou que ele e um amigo foram à casa de Kercher e Knox com o objetivo de manter relações sexuais com a britânica. E, quando ela se recusou, eles ficaram violentos e a mataram.

Mas Guede, que é da Costa do Marfim, negou que tenha falado isso ao companheiro de cela.

Brincadeira sexual

Os três condenados negam o crime. As duas jovens eram estudantes e faziam intercâmbio em Perugia na época do crime. Elas dividiam a mesma casa, onde o corpo de Kercher foi encontrado no dia 2 de novembro de 2007, com a garganta cortada e parcialmente vestida.

Knox e Sollecito dizem que estavam juntos na casa dele na hora do crime.

Entretanto, a polícia italiana diz ter encontrado amostras do DNA de Knox e Sollecito na cena do crime e em uma faca que, segundo os policiais, teria sido usada para matar Kercher.

A promotoria italiana defendeu a teoria de que a jovem britânica foi morta durante uma brincadeira sexual que deu errado.

Guede confessou ter estado na casa de Kercher e feito sexo com ela na noite do crime, mas que estava no banheiro quando a jovem foi morta, segundo ele, pelo casal de namorados.

Segundo o correspondente da BBC em Roma Duncan Kennedy, a audiência desta segunda-feira foi a primeira vez em quatro anos que os três envolvidos deram depoimentos no mesmo dia e ocorreram "cenas dramáticas" no julgamento.

Depois do depoimento de Guede, Amanda Knox se levantou e negou as acusações.

"A única vez que Rudy Guede, Raffaele e eu ficamos em um mesmo espaço foi na corte. Estou chocada e angustiada. Ele sabe que não estávamos lá e não temos nada a ver com isto", afirmou.

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