Bancos franceses aceitam reinvestir dívida grega, diz Sarkozy

Sarkozy fala com jornalistas no Palácio do Eliseu, em Paris. Foto: AP Direito de imagem AP
Image caption Instituições concordaram em conceder novos empréstimos à Grécia depois que atuais vencerem

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, afirmou nesta segunda-feira que chegou a um acordo para que os bancos franceses ajudem a Grécia, que enfrenta uma grave crise financeira, dando ao país mais tempo para pagar dívidas que estão prestes a vencer.

De acordo com o comentarista de Economia da BBC Andrew Walker, de acordo com a proposta, as instituições francesas concordaram reinvestir os papéis da dívida grega que possuem em novos bônus, com vencimento de 30 anos.

No entanto, Sarkozy confirmou que os bancos estão dispostos a reinvestir dessa forma apenas 70% dos papéis da dívida grega que possuem dessa forma. O restante da dívida teria que ser pago, em dinheiro ou em troca de ativos financeiros.

Walker afirma que os demais bancos da zona do euro estão sendo pressionados pelos governos para também ajudar o governo grego. As instituições alemãs já estariam interessadas no modelo francês que está em discussão.

A Grécia, que ainda não recebeu a totalidade dos 110 bilhões de euros de um primeiro pacote de ajuda concedido no ano passado pela União Europeia (UE) e pelo FMI, já está no aguardo de um novo empréstimo para evitar a moratória de sua dívida.

A previsão é que o novo pacote deve chegar a 120 bilhões de euros. Um grupo de banqueiros de diversos países está reunido nesta segunda-feira com autoridades da zona do euro, em Roma, para discutir a crise grega.

‘Calote técnico’

O modelo francês é visto com reservas pelas agências de classificação de crédito, que estimam se a compra de bônus das dívidas dos países vale ou não a pena. Essas instituições já afirmaram que qualquer rolagem da dívida grega será considerada um "calote técnico", que pode levar à insolvência.

O chefe do Fundo Europeu de Instabilidade Financeira, Klaus Regling, está negociando com as agências de classificação maneiras de evitar uma nota que indique um calote da dívida grega.

Outras entidades europeias – em especial o Banco Central Europeu - estão preocupadas que a proposta francesa force os demais bancos europeus a reconhecer a perda de bilhões de euros em títulos da dívida grega que atualmente possuem.

O ex-presidente do Banco Central alemão Axel Weber disse anteriormente que uma solução "fragmentada" para a questão grega não irá funcionar. Para ele, os governos europeus devem aceitar o fato de que, em algum momento, terão de "reiniciar o sistema".

"Existem, infelizmente, somente algumas opções muito limitadas: seja a moratória, sejam ajustes parciais ou seja uma garantia para a enorme soma da dívida grega", disse Weber ao jornal The Wall Street Journal.

Medidas de austeridade

Nesta semana, o Parlamento grego discute uma nova série de medidas de austeridade, que incluem a cobrança de imposto de renda sobre os salário na faixa de 8 mil euros.

O partido do governo tem 155 dos 300 assentos do Parlamento. Pesquisas indicam que as propostas têm a oposição de três quartos da população grega, de 11 milhões de pessoas.

As medidas de austeridade, que incluem cortes de gastos públicos e privatizações, são uma contrapartida exigida pela UE e pelo FMI depois do pacote de ajuda concedido no ano passado.

Manifestantes contrários aos cortes saíram de novo às ruas da Grécia nesta segunda-feira, enquanto uma greve geral foi convocada para esta terça. Protestos anteriores terminaram em confronto com a polícia.

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