Brasil anuncia apoio a ministra francesa para a chefia do FMI

Christine Lagarde na sede do FMI em Washington (AFP) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Lagarde já contava com apoio da Europa e da China, e agora tem respaldo de EUA, Rússia e Brasil

O Brasil declarou nesta terça-feira que apoia a candidatura da ministra francesa de Finanças, Christine Lagarde, à chefia do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Embora lamente que a rapidez do processo seletivo “tenha dificultado o aprofundamento dos debates”, o Brasil escolheu apoiar a francesa “por seu reiterado compromisso com a continuidade do processo de reformas do Fundo, diz uma nota divulgada pelo governo.

Entre estas reformas estão a “transferência de quotas em favor dos países emergentes e em desenvolvimento, aumentando seu peso no processo decisório do FMI”; uma maior voz para países pequenos no fundo; a adoção de uma maior supervisão de economias avançadas e o “compromisso de que o próximo diretor-gerente do FMI não seja necessariamente um cidadão europeu”.

A nota emitida pelo governo brasileiro ressalta que o apoio do país “está condicionado ao cumprimento dessas reformas amplas e profundas, no entendimento de que não se trata de uma candidatura europeia para solucionar problemas europeus imediatos, apenas”.

"Não podemos admitir retrocessos em relação às reformas implementadas nos últimos dois anos, sob pena de diminuir o peso e o papel do FMI", afirma o comunicado.

O anúncio foi feito no momento em que os 24 membros do painel executivo do FMI estão reunidos para escolher o novo diretor-gerente do fundo. O anúncio deve ser feito até a próxima quinta-feira.

EUA e Rússia

Também nesta terça-feira, Estados Unidos e Rússia haviam declarado apoio a Lagarde.

O ministro das Finanças russo, Alexei Kudrin, afirmou que ela tem todas qualidades necessárias para o cargo.

Por sua vez, o secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, disse em uma nota que “o talento excepcional da ministra Lagarde e sua ampla experiência darão a liderança inestimável para esta instituição em um momento crítico para a economia global."

De acordo com a repórter da BBC em Washington Lesley Curwen, até o momento os Estados Unidos não tinham manifestado seu apoio, mas não havia muita dúvida sobre o nome de Lagarde como o preferido dos americanos.

Lagarde disputa o cargo com o presidente do Banco Central do México, Agustín Carstens.

O cargo de diretor-gerente do FMI ficou vago após a renúncia do francês Dominique Strauss-Kahn, no mês passado, em meio a um escândalo sexual ocorrido nos EUA.

Lesley Curwen afirma que, com a declaração de Geithner, a vitória de Lagarde parece certa.

Com os Estados Unidos, Lagarde já garantiu os votos de 49% do painel executivo do FMI. Ela já contava também com o apoio da China.

Agustín Carstens contava com o apoio de vários países da América Latina, além do Canadá e da Austrália.

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