Parlamento grego aprova pacote de austeridade

Foto: AFP Direito de imagem AFP
Image caption Pacote é exigido pelo FMI e pela UE para liberar empréstimo; multidão realiza protestos em Atenas

O Parlamento grego aprovou nesta quarta-feira o pacote de medidas de austeridade propostas pelo governo, contrapartida exigida pelo FMI e pela União Europeia (UE) para liberar a última parcela de um empréstimo de 110 bilhões de euros ao país.

Entre as medidas do plano de austeridade, estão cortes orçamentários, aumento de impostos e privatizações. Sindicatos se opõem às propostas do governo, principalmente à que prevê a cobrança de impostos de trabalhadores que ganham salário mínimo.

A Grécia vive uma grave crise devido à sua dívida pública. O primeiro-ministro grego, George Papandreou, havia afirmado que, se o governo fosse derrotado, os cofres do país ficariam vazios "em uma questão de dias".

Segundo o correspondente da BBC em Atenas Malcolm Brabant, as medidas de austeridade, mesmo aprovadas, podem voltar a ser contestadas nesta quinta-feira, quando os parlamentares discutirão outra lei que detalha como o pacote será implementado.

A UE e o FMI condicionavam a liberação da última parcela – de 12 bilhões de euros (R$ 27 bilhões) - do pacote de resgate financeiro concedido à Grécia no ano passado à aprovação do pacote no Parlamento grego.

Sem a liberação do dinheiro, a Grécia corre sério risco de decretar moratória de sua dívida, o que poderia, segundo analistas, desencadear uma onda de calotes em países europeus igualmente em crise, contaminando o sistema financeiro mundial.

Devido a este risco, que existe mesmo com o pagamento da última parcela, autoridades europeias estão finalizando os detalhes de um segundo pacote, estimado em 120 bilhões de euros, que visa ajudar a Grécia a pagar suas dívidas até o final de 2014.

As medidas de austeridade são altamente impopulares entre os gregos. Pesquisas indicam que entre 70% e 80% da população é contra o pacote do governo. Sindicatos afirmam ainda que, com os cortes no setor público, a taxa de desemprego já ultrapassou os 16%.

Protestos

Antes da votação, milhares de manifestantes voltaram às ruas próximas ao Parlamento grego, em protesto contra as reformas apresentadas pelo governo.

Segundo o correspondente da BBC em Atenas Malcolm Brabant, a polícia de choque afastou os manifestantes do Parlamento, empurrando a multidão em direção ao prédio do Ministério das Finanças.

Brabant afirma que bombas de gás lacrimogêneo foram jogadas na estação do metrô, fazendo diversas pessoas cair nas escadas, sufocadas. Outras pessoas foram pisoteadas ao tentar fugir da nuvem de gás, mas se levantaram e conseguiram escapar.

O correspondente da BBC diz que, com a aprovação das medidas de austeridade, a tensão nas ruas de Atenas pode aumente ainda mais.

Mais cedo, os manifestantes tentaram formar um círculo em torno do Parlamento, para barrar a entrada dos congressistas, mas acabaram sendo impedidos pelos policiais, que eram chamados de "porcos" e "assassinos" pela multidão.

Além dos protestos, a Grécia vive desde essa terça-feira uma greve geral, que paralisa a maior parte dos serviços públicos.

Notícias relacionadas