Tribunal especial ordena prisão de suspeitos da morte de ex-premiê libanês

Premiê foi assassinado em atentado a bomba em 2005. Foto: AFP Direito de imagem afp
Image caption Nomes dos acusados do assassinato de Rafik Hariri estão sob sigilo. Hezbollah é suspeito

Quatro mandados de prisão foram expedidos pelo tribunal especial que investiga o assassinato do primeiro-ministro libanês, Rafik Hariri, ocorrido em 2005, segundo informou nesta quinta-feira o procurador-geral do Líbano, Saeed Mirza.

Relatos locais indicam que os mandados foram expedidos contra altos integrantes do grupo militante e político xiita Hezbollah, que em outras oportunidades criticou o tribunal, prometendo retaliações.

O procurador-geral do Líbano afirma ter recebido os indiciamentos e os quatro mandados de prisão por parte de uma delegação do tribunal especial em Beirute. Os nomes dos indiciados são mantidos sob sigilo.

A criação do Tribunal Especial para o Líbano, sediado em Haia (Holanda) e endossado pelo Conselho de Segurança da ONU, criou turbulência política no país, gerando temores de um levante sectário. O gabinete libanês, dominado pelo Hezbollah, está reunido nesta quinta para fechar uma posição em relação à corte.

Hariri foi morto em um atentado cometido em fevereiro de 2005, no centro da capital libanesa, Beirute, quando uma grande explosão atingiu a sua comitiva. Além do primeiro-ministro, outras 21 pessoas morreram no ataque.

O Hezbollah tentou por repetidas vezes desacreditar o tribunal especial, alegando que ele é parte de um complô envolvendo os Estados Unidos, Israel e França. O grupo nega qualquer participação no atentado que matou Hariri, e suas lideranças ameaçaram qualquer pessoa que tente prender seus integrantes.

O correspondente da BBC em Beirute Owen Bennett Jones acha pouco provável o cumprimento dos mandados de prisão, devido ao poder obtido pelo Hezbollah depois de ter chegado ao governo.

'Momento histórico'

O filho de Hariri e ex-primeiro ministro, Saad Hariri, elogiou os indiciamentos, dizendo que este é um "marco" para o Líbano. "Depois de muitos anos de paciência e de luta (...), nós testemunhamos hoje um momento histórico na política, na Justiça e na segurança do Líbano", disse Saad à agência AFP.

Ele pediu ainda que o novo governo cumpra com as suas obrigações internacionais. Saad assumiu o cargo de premiê em 2009, mas, depois de se negar a deixar de colaborar com o tribunal, acabou saindo do cargo em janeiro deste ano, devido a uma campanha comandada pelo Hezbollah.

O atual primeiro-ministro, Najib Mikati, ainda deverá se pronunciar oficialmente sobre a posição do governo quanto ao tribunal especial. Mikati disse anteriormente que lutará para cumprir com as obrigações internacionais do Líbano, mas que está atento às suas responsabilidades quanto à estabilidade do país.

De acordo com autoridades do tribunal especial, o Líbano tem 30 dias para cumprir os mandados de prisão. Caso os suspeitos não sejam detidos neste período, o tribunal tornará públicos os nomes dos indiciados e convocará os acusados a comparecer diante da corte, disseram as autoridades à AFP.

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