Após rumores, secretário do Tesouro dos EUA diz que fica no cargo por enquanto

Timothy Geithner Direito de imagem BBC World Service
Image caption Especulação se dá em meio a impasse de negociações do orçamento americano no Congresso

Em meio ao impasse em torno das negociações do orçamento americano no Congresso, o secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, viu-se obrigado a declarar que pretende permanecer no cargo por enquanto, depois de rumores de que estava prestes a deixar o governo terem circulado na imprensa nesta quinta-feira.

De Nova York, onde participava de um evento promovido pela Clinton Global Initiative, o secretário respondeu a uma pergunta feita pelo ex-presidente Bill Clinton sobre seu futuro profissional.

“Eu vivo para este trabalho. É a única coisa que eu já fiz. Eu acredito nele”, disse Geithner.

“Nós temos muitos desafios no país e eu vou continuar fazendo (o meu trabalho) por um futuro próximo”, afirmou.

Ao longo do dia, diversos veículos de imprensa americanos publicaram a informação de que Geithner já havia comunicado ao presidente Barack Obama sua intenção de deixar o cargo após a conclusão das negociações no Congresso.

O secretário só tomaria a decisão final, porém, após a Casa Branca e o Congresso chegarem a um acordo que permita elevar o teto da dívida pública americana.

Limite

Caso o Congresso não chegue a um acordo até o início de agosto para autorizar o aumento do limite legal da dívida pública, os Estados Unidos irão ultrapassar o teto e terão de parar de cumprir com compromissos financeiros.

O teto atual, de US$ 14,3 trilhões (cerca de R$ 22,5 trilhões), foi atingido no dia 16 de maio.

Na ocasião, Geithner anunciou a adoção de medidas temporárias para impedir que a dívida ultrapassasse esse limite, como a suspensão de investimentos em fundos de pensão.

Alertou, porém, que mesmo com essas medidas a dívida vai estourar o limite em 2 de agosto.

Nesta sexta-feira, o vice-presidente, Joe Biden, e membros de um grupo bipartidário voltam a se reunir na tentativa de costurar um acordo.

O Senado chegou a cancelar o recesso programado para a próxima semana, a fim de trabalhar na negociação. No entanto, as discussões estão emperradas.

A oposição republicana, que controla a Câmara dos Representantes (deputados federais), exige que o aumento do limite da dívida seja vinculado a cortes no orçamento. Os democratas discordam do tamanho dos cortes e também dos programas a serem afetados.

Os Estados Unidos registram um deficit no orçamento calculado em US$ 1,4 trilhão (cerca de R$ 2,2 trilhões) para o ano fiscal que se encerra em setembro.

Desafio

Diante desse cenário, Obama afirmou nesta semana que, caso os Estados Unidos deixem de pagar as suas contas, as consequências para a economia americana serão “significativas e imprevisíveis”.

De acordo com o FMI, os efeitos serão sentidos não só na economia americana, que enfrenta uma frágil recuperação pós-crise, mas também também nos mercados globais.

Duas das principais agências de classificação de risco, a Standard & Poor´s e a Moody´s, também já alertaram que a nota dada aos Estados Unidos poderá ser rebaixada se não houver avanços nas negociações.

Segundo analistas, caso Geithner realmente decida abandonar o governo, deixará Obama com o desafio de substituir um cargo-chave às vésperas da eleição de 2012 e em um ambiente difícil no Congresso, onde a oposição já vetou vários de seus indicados.

Geithner é o membro mais importantes da equipe econômica de Obama, tendo participado ativamente da resposta dos Estados Unidos à crise desde que assumiu o cargo, no início de 2009.

Sua eventual renúncia se somaria à já anunciada saída do presidente do conselho de assuntos econômicos da Casa Branca, Austan Goolsbee, que deve deixar o cargo em agosto, e a de vários outros assessores econômicos que abandonaram o governo recentemente.

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