EUA vão investigar morte de dois prisioneiros sob custódia da CIA

Foto de arquivo de Abu Ghraib, onde ficou detido um dos prisioneiros cuja morte será investigada (Getty) Direito de imagem Getty
Image caption Um dos casos investigados ocorreu no presídio iraquiano de Abu Ghraib

Os Estados Unidos abrirão inquéritos criminais para apurar a morte de dois detentos que estavam sob custódia da CIA (agência de inteligência americana), no Iraque e no Afeganistão, em 2002 e 2003.

Gul Rahman morreu em novembro de 2002 em uma prisão da CIA no Afeganistão; Manadel al-Jamadi morreu na prisão iraquiana de Abu Ghraib em 2003, segundo relatos.

Nesta quinta-feira, o secretário da Justiça dos EUA, Eric Holder, aceitou a recomendação de abrir uma investigação sobre o tratamento concedido aos dois prisioneiros durante interrogatórios.

Mas serão encerradas as investigações sobre outros cem casos de supostos abusos cometidos pela agência americana durante o interrogatório de suspeitos de terrorismo no período pós-11 de Setembro.

O anúncio de Holder ocorre mais de três anos depois de seu antecessor, Michael Mukasey, ter designado o promotor federal John Durham para investigar relatos de que gravações com os interrogatórios da CIA teriam sido destruídas.

Em agosto de 2009, Holder ampliou a tarefa de Durham, que passou a apurar supostos maus-tratos sofridos por prisioneiros da agência de inteligência.

Segundo comunicado de Holder desta quinta, Durham recomendou que apenas dois casos sejam alvo de uma investigação mais profunda. O secretário não os especificou, mas informações obtidas pelas agências de notícias dão conta de que são os casos relacionados às mortes de Rahman e Jamadi.

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Image caption Secretário disse que encerrará a apuração sobre outros cem casos de suspostos abusos

‘Investigações em curso’

Rahman, descrito por agentes da CIA como um elo entre o Talebã afegão e militantes da Al-Qaeda, morreu em novembro de 2002 após ser algemado a uma parede de cimento frio em um centro de detenção americano ao norte de Cabul, segundo relatos.

Jamadi supostamente morreu em Abu Ghraib, onde chegou já ferido após um confronto com as forças americanas no Iraque, em 2003.

Em sua investigação inicial, Durham tinha como missão identificar se os agentes da CIA usaram técnicas não autorizadas de interrogatório e examinar o envolvimento da inteligência no interrogatório de 101 casos de pessoas detidas após os ataques de 11 de Setembro, em meio a denúncias de maus-tratos.

“Durham e sua equipe revisaram um grande volume de informação referente a esses detentos”, disse Holder em comunicado nesta quinta. “Aceitei sua recomendação para conduzir uma investigação criminal completa quanto à morte de dois indivíduos. Essas investigações estão em curso.”

O correspondente da BBC em Washington Paul Adams lembra que o governo de Barack Obama havia dito, desde seu início, que não tinha a intenção de processar nenhum agente americano que, em seus interrogatórios, tivesse agido dentro do escopo aceitado legalmente no país.

Durante o mandato de George W. Bush, esse escopo incluiu técnicas polêmicas, como a de afogamento (waterboarding), que agora são oficialmente tratadas como formas de tortura.

Em seu último dia como diretor da CIA, Leon Panetta (que assumirá o posto de secretário da Defesa dos EUA) disse, segundo a Reuters, comemorar o fato de que “os inquéritos mais amplos ficaram para trás. Finalmente estamos prestes a encerrar esse capítulo da história da agência”.

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