Governo do Bahrein inicia negociações com oposição

Manifestante no Bahrein (Reuters) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Mais de 30 pessoas morreram nos protestos no Bahrein

As autoridades do Bahrein iniciaram neste sábado negociações formais com a oposição depois de meses de protestos contra o governo nos quais mais de 30 pessoas foram mortas.

O rei Hamad Bin Issal Al Khalifa afirmou que todas as opções foram apresentadas para esta reunião, da qual também participa o Al-Wifaq, o principal bloco oposicionista xiita do país.

No entanto, depois do lançamento oficial, que foi transmitido pela televisão estatal, as negociações foram suspensas e deverão ser retomadas em breve.

O porta-voz do Parlamento, Khalifa Dhahrani, afirmou que o diálogo não terá "condições prévias ou limites" para as exigências apresentadas pelos representantes presentes à negociação.

Dhahrani também disse que o objetivo é estabelecer "princípios comuns para o relançamento do processo de reforma política".

Os representantes de oposição, membros do al-Wifaq, prometeram defender os interesses do povo barenita durante a negociação.

"O Al-Wifaq não vai abandonar as exigências do povo, que são: um governo eleito, uma lei eleitoral justa e um Parlamento eleito com plenos poderes", afirmou o líder do bloco de oposição, Sheikh Ali Salman, em um discurso a seus partidários na sexta-feira.

Apoio

A negociação recebeu apoio dos Estados Unidos. O Bahrein é um importante aliado dos americanos no Oriente Médio e abriga uma base da Quinta Frota Naval dos Estados Unidos.

Antes do início do diálogo, o rei Hamad Bin Issal Al Khalifa anunciou a investigação sobre os procedimentos das forças de segurança durante os protestos no país.

Os protestos, inspirados pelos levantes populares da Tunísia e Egito, começaram no início de 2011, quando milhares de pessoas tomaram as ruas do Bahrein exigindo um representação política mais justa.

Os manifestantes pediam a libertação dos prisioneiros políticos, a criação de empregos, a construção de casas populares, o estabelecimento de um Parlamento mais representativo, uma nova Constituição e um novo gabinete que não inclua o atual primeiro-ministro, xeque Khalifa bin Salman Al Khalifa, que está no cargo há 40 anos.

Em fevereiro as forças de segurança dispararam contra uma manifestação na praça central da capital, Manama. Então, em março, o rei Hamad convocou soldados de países vizinhos sunitas para enfrentar os manifestantes.

Mas, a maioria dos soldados sauditas que foram enviados ao Bahrein para apoiar o governo já estão sendo retirados do país.

A maioria da população do Bahrein é muçulmana xiita e vem sendo governada por um família real da minoria sunita desde o século 18. Os grupos xiitas se dizem marginalizados e sujeitos a leis injustas.

Notícias relacionadas