Strauss-Kahn pode voltar à política, dizem aliados

Strauss-Kahn e sua esposa, Anne Sinclair, deixam tribunal de NY (AFP) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Ex-diretor do FMI (dir.) responde a sete acusações, que incluem agressão sexual e tentativa de estupro

Aliados do ex-diretor-gerente do FMI Dominique Strauss-Kahn afirmaram que ele poderá voltar à vida política da França agora que foi liberado da prisão domiciliar em Nova York.

Antes de ser acusado de tentativa de estupro e assédio sexual de uma camareira de hotel em Nova York, Strauss-Kahn era apontado como possível candidato à Presidência da França.

Na sexta-feira Strauss-Khan foi liberado de sua prisão domiciliar em Nova York sem o pagamento de fiança.

O ex-diretor-gerente do FMI compareceu a uma audiência do caso em um tribunal da cidade americana e foi solto "por sua própria intimação", o que significa que ele poderá simplesmente prometer que aparecerá diante da corte em seu processo. Strauss-Khan também receberá de volta os US$ 6 milhões (cerca de R$ 9,3 milhões) pagos de fiança anteriormente, que garantiram que ele pudesse permanecer em prisão domiciliar, e não na cadeia.

Ele agora está livre para viajar pelos Estados Unidos, mas o tribunal decidiu reter o passaporte de Strauss-Kahn o que o impede de sair do país.

O ex-diretor do FMI é acusado de molestar sexualmente uma camareira de hotel de Nova York, no dia 14 de maio. Ele responde a sete acusações, entre elas quatro crimes graves que incluem agressão sexual, abuso sexual e tentativa de estupro. Strauss-Kahn nega todas as acusações.

Partido Socialista

Strauss-Kahn era apontado como o favorito para ser o candidato do Partido Socialista à Presidência da França antes do escândalo.

De acordo com o correspondente da BBC em Paris Christian Fraser, há uma expectativa crescente entre os franceses de que o caso contra ex-diretor do FMI desmorone. E, se isto acontecer, a única pessoa que pode descartar a candidatura de Strauss-Kahn na eleição de 2012 é ele mesmo.

"Se nós levarmos em conta a hipótese de que Dominique (Strauss-Kahn) seja inocentado de todas as suspeitas e todas as acusações, o que eu obviamente espero que aconteça, então primeiro ele terá que decidir... e então os socialistas terão que decidir (sobre sua candidatura)", afirmou o último primeiro-ministro socialista da França, Lionel Jospin.

Um parlamentar socialista Jean-Marie Le Guen, afirmou que Strauss-Kahn deverá estar presente na campanha presidencial.

"Se o que ouvimos... for verdade, que a Justiça americana vai libertá-lo e reabilitá-lo, dar a ele sua honra e dignidade de volta, então, como Dominique Strauss-Kahn é um guerreiro, ele vai lutar em nosso país", afirmou.

A lista de indicações para a campanha presidencial deve ser fechada no dia 13 de julho, cinco dias antes da próxima aparição de Strauss-Kahn na Justiça americana. No entanto, François Hollande, um nome importante no Partido Socialista francês, afirmou que este prazo poderá ser estendido.

Credibilidade

O futuro do caso parece ter se tornado incerto depois que autoridades americanas colocaram em dúvida a credibilidade da suposta vítima de Strauss-Kahn, uma mulher de origem guineana, de 32 anos.

Segundo o jornal The New York Times, investigadores do caso disseram que a camareira tem mentido repetidamente em seus depoimentos. Além disso, segundo as fontes, a mulher pode ter mentido em seu pedido de asilo.

Mesmo negando categoricamente as alegações, o ex-diretor-gerente do FMI se viu forçado a renunciar em 19 de maio ao cargo, para o qual foi eleito nesta semana a ministra francesa das Finanças, Christine Lagarde.

Em audiências anteriores, os promotores garantiram ter provas "substanciais" contra o francês.

Mas, segundo o The New York Times, embora os testes forenses tenham mostrado indícios de contato sexual entre ele e a camareira, os promotores questionam as circunstâncias do episódio.

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