Livro polêmico desencadeia protesto de judeus ortodoxos em Jerusalém

Atualizado em  4 de julho, 2011 - 18:17 (Brasília) 21:17 GMT
Manifestação em Jerusalém em 4 de julho/Reuters

Judeus ortodoxos são uma força política considerável em Israel

Centenas de judeus ultraortodoxos protestaram nesta segunda-feira em frente à Suprema Corte de Jerusalém contra o interrogatório de dois rabinos que apoiaram um livro que defende que o assassinato de não judeus seria justificado em certos casos.

A polícia já havia investigado os autores do The King´s Torah, ou a Torá dos Reis, os rabinos Yitshak Shapira e Yosef Elitzur, por incitar a violência.

Mas a detenção, o questionamento e a posterior liberação, na semana passada, de outros dois rabinos conservadores mais respeitados, Dov Li'or e Yaakov Yosef, que defenderam a obra, causou revolta entre as comunidades ortodoxa e ultraortodoxa de Israel.

Muitos no protesto desta segunda-feira diziam seguir os ensinamentos do livro, outros se diziam revoltados com o fato de dois rabinos respeitados estarem sendo investigados.

Polêmica

O livro, publicado em 2009 e posteriormente proibido em Israel, diz que bebês e filhos dos inimigos de Israel podem ser mortos sob certas condições desde que "seja claro que eles vão crescer para nos ameaçar".

A obra também diz que os não judeus seriam "pessoas de pouca compaixão por natureza" e ataques a eles "combateriam sua inclinação maléfica".

"Em qualquer lugar onde a influência dos gentios for uma ameaça para a vida de Israel, é permissível matá-los", diz o livro.

Muitos rabinos já condenaram publicamente o livro, dizendo que ele contraria os ensinamentos do judaísmo.

O correspondente da BBC em Jerusalém Jon Donnison diz que o protesto desta segunda-feira coloca em uma posição difícil o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, que já declarou publicamente ser a favor das detenções, alegando que ninguém deve se posicionar acima da lei.

Mas Donnison diz que a coalizão governista de Netanyahu conta com o apoio do partido ultraortodoxo Shas. Muitos dos simpatizantes do partido são contra as detenções.

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