Angra 3 vai custar quase R$ 10 bilhões e ficará pronta em 2015

Jovem protesta contra cooperação nuclear alemã, em Brasília. Reuters Direito de imagem Reuters
Image caption O programa nuclear ganhou impulso com a assinatura do acordo Brasil-Alemanha, em 1975

Se não houver nenhum imprevisto pelo caminho, a usina de Angra 3 deve ficar pronta em 2015, três décadas após o início de sua construção. As obras devem custar R$ 9,95 bilhões, segundo a última revisão orçamentária feita pela Eletrosul, em junho de 2010.

De acordo com a Eletrosul, 70% dos gastos serão efetuados no país. O restante seria justamente a quantia pendente do financiamento indireto do governo alemão, por meio de subsídios à empresa que fornecerá equipamento à usina, a francesa Areva, que produzirá as peças na Alemanha, segundo a ONG Urgewald.

O montante chegaria a 1,3 bilhão de euros (cerca de R$ 2,9 bilhões).

Contatada pela BBC, a direção da Areva não deu retorno à reportagem para confirmar o valor exato do montante.

Leia mais: Ativistas protestam em Berlim contram financiamento alemão a Angra 3

Segundo a Eletronuclear, o complexo de Angra é hoje responsável por 3% do fornecimento de energia ao país. No Estado do Rio de Janeiro, as centrais nucleares de Angra dos Reis respondem por 50% da energia consumida no Estado.

Brasil-Alemanha

O programa nuclear brasileiro teve início em 1968, quando o regime militar resolveu construir a primeira usina nuclear do país, em Angra dos Reis, no litoral do Rio de Janeiro.

Em 1975, o Brasil assinou um acordo nuclear com a Alemanha, que se dispôs a construir os reatores nucleares e a transferir tecnologia de enriquecimento de urânio para a produção de energia.

O acordo também previa a compra de equipamentos da empresa KWU, subsidiária da Siemens.

Em 1982, Angra 1 começou a operar e tiveram início as obras de Angra 2 e Angra 3. A última teve a construção interrompida quatro anos depois.

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) autorizou a retomada de Angra 3 em 2007, seis anos após o início das operações de Angra 2. Em 2008, o Ibama concedeu licença prévia ambiental à nova usina, que ainda não possui uma licença permanente.

Um ano depois, a empresa francesa Areva assinou um contrato de prestação de serviços com a Eletronuclear para fornecer serviços de engenharia e administração a Angra 3, segundo o site da fabricante.

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