Japão vai testar segurança de usinas nucleares, diz ministro

Usina de Fukushima, em foto de maio (AFP) Direito de imagem AFP
Image caption Crise em Fukushima despertou preocupação quanto ao uso de energia nuclear

O Japão vai realizar testes de segurança em todas as suas usinas nucleares, informou nesta quarta-feira (noite de terça no horário de Brasília) o ministro de Comércio Banri Kaieda, em resposta à crise nuclear desencadeada pelo terremoto seguido de tsunami em março.

O objetivo dos testes é determinar se as usinas estão preparadas para suportar grandes desastres naturais.

Em anúncio relatado pela agência local Jiji Press, o ministro prometeu, também, que o Japão não terá problemas no suprimento de energia.

A tragédia de março, que deixou cerca de 20 mil pessoas mortas ou desaparecidas no nordeste do país, provocou vazamentos na usina atômica de Fukushima.

Atualmente, apenas 19 dos 54 reatores nucleares japoneses estão em operação, e outros devem ser fechados para testes, o que forçará os moradores locais a evitar o consumo de energia.

O uso da energia nuclear foi colocado em xeque desde a tragédia japonesa. Países da União Europeia também estão limitando o uso de suas usinas nucleares e promovendo testes nos reatores em funcionamento.

Reconstrução

Em outro desdobramento da crise japonesa, o ministro da Reconstrução do Japão, Ryu Matsumoto, renunciou nesta terça-feira, uma semana após ter assumido o cargo.

Ele foi duramente criticado por ter feito declarações consideradas grosseiras e arrogantes dirigidas a governadores de áreas do país gravemente afetadas pelo terremoto e o tsunami.

Ele afirmou que o governo não iria auxiliá-los financeiramente a não ser que eles surgissem com boas propostas de reconstrução e repreendeu publicamente outro representante estadual, se recusando a apertar sua mão.

A renúncia deverá aumentar ainda mais a pressão sobre o já impopular governo do primeiro-ministro Naoto Kan.

A indicação de Matsumoto àrecém-criada pasta da Reconstrução, no dia 27 de junho, visava conter as críticas à administração do premiê.

No mês passado, Kan enfrentou um voto de desconfiança apresentado por parlamentares insatisfeitos com a forma como lidou com o processo de reconstrução e com a crise em Fukushima.

O primeiro-ministro está há apenas um ano no cargo e se comprometeu a renunciar em breve, mas só depois de conseguir a aprovação, no Parlamento, de vários projetos de lei ligados à recuperação do desastre e de energia renovável.

O correspondente da BBC em Tóquio Roland Buerk disse que o premiê está tentando persuadir parlamentares a liberar um adicional de US$ 25 bilhões de verba aos fundos de reconstrução e que os comentários de seu ministro acabaram representando uma distração indevida.

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