ONU alerta para drama de somalis que não conseguem fugir de seca

Somalis se dirigem a campo de refugiados em Mogadíscio. Foto: AP Direito de imagem AP
Image caption Região conhecida como Chifre da África vive a pior seca registrada nos últimos 60 anos

A ONU alertou para a grave situação de milhares de pessoas passando fome na Somália e disse que as que conseguiram fugir para a Etiópia tiveram "sorte".

Uma porta-voz do Programa Mundial de Alimentos da ONU (WFP, na sigla em inglês), Judith Schuler, disse à BBC que milhares de pessoas estão fugindo da seca na Somália e alcançando campos de refugiados na Etiópia.

Ela disse estar preocupada com aqueles que, por pobreza ou sem condições de fazer a longa jornada pelo deserto, estão ficando para trás.

A região conhecida como Chifre da África - situada no nordeste do continente e abrangendo a Somália, Etiópia, Eritreia, Quênia, Uganda, Djibuti e Sudão - vive a pior seca dos últimos 60 anos.

Segundo o WFP, mais de 110 mil pessoas chegaram aos campos já lotados, situados na localidade remota de Dolo Ado, no sudeste da Etiópia.

Outros 1.600 estão cruzando a fronteira da Etiópia diariamente.

Schuler disse ter ficado impressionada ao conversar com uma refugiada. "Ela me disse: 'Chegamos aqui e temos sorte. Muitos não tiveram condições financeiras de fazer a viagem e simplesmente ficaram para trás'".

Refletindo sobre a situação dos que ficaram, Schuler comentou:

"Muitos deles vão provavelmente lutar pela sobrevivência da forma como puderem, com os poucos recursos que lhes restam".

A porta-voz disse que os que conseguem alcançar o campo, por outro lado, chegam em condições terríveis.

"Todos estão exaustos", disse Schuler. "Muitos caminharam durante oito ou dez dias. Alguns viajaram quatro dias de caminhão e depois andaram por três dias".

Segundo a porta-voz, os refugiados relatam que o que dificulta a viagem é a falta de comida.

"(Os viajantes) não tinham o que comer, tiveram de pedir esmolas para conseguir comida. E você vê que estão em estado grave de desnutrição, especialmente as crianças".

Sabemos que essas pessoas precisam desesperadamente de comida, por isso estamos fazendo o possível para ajudar.

Suprimentos

A operação de transporte de alimentos para os campos em Dolo Ado envolve uma longa e perigosa jornada.

Cerca de 50 caminhões fazem a viagem, que dura dez dias, a cada mês. Os alimentos são trazidos de Djibuti até os campos, próximos da fronteira com o Quênia.

Em maio, dois veículos foram atacados por rebeldes. Uma pessoa foi morta e outra ficou ferida. Outras duas foram sequestradas, mas acabam de ser libertadas.

Mas segundo o WFP, apesar dos perigos, os motoristas dos caminhões estão determinados a continuar fazendo as viagens.

Crise

Segundo a ONU, mais de dez milhões de pessoas estão sendo afetadas pela seca no Chifre da África.

No caso da Somália, conflitos políticos já vinham provocando a fuga de cidadãos rumo ao Quênia. Mas a forte temporada de secas e a alta no preço dos alimentos dificultaram ainda mais a situação de milhões de somalis.

O país é palco de um confronto entre o grupo islâmico Al-Shabab e um governo de transição, que tem o apoio das tropas de paz da União Africana.

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