BC europeu eleva juros para tentar conter inflação

Sinal do euro em fachada de loja em Dubin, na Irlanda Direito de imagem REUTERS
Image caption Medida provocará aumento de custos de empréstimos para países em crise na zona do euro

O Banco Central Europeu (BCE) anunciou nesta quinta-feira o aumento da taxa de juros de 1,25% para 1,5% em uma tentativa de conter a inflação entre os 17 países da zona do euro.

O aumento da taxa de juros já era esperado, uma vez que o presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, já havia insinuado no mês passado que era provável que houvesse um aumento.

A despeito do endividamento que está atingindo os países da zona do euro, o BCE teme o sobreaquecimento da economia de países como a Alemanha.

O presidente do BCE afirmou, após o anúncio do aumento da taxa de juros, que os dados econômicos mais recentes mostraram uma desaceleração no crescimento na zona do euro, mas advertiu para o risco de a inflação subir no médio prazo.

A inflação na zona do euro está na faixa de 2,7%, índice superior à meta do BCE, de 2%.

No mês passado, Trichet afirmou que o BCE manteria ''uma forte vigilância'' sobre a inflação, o que sinalizou para os mercados financeiros que um aumento era provável.

A força contínua da economia alemã foi reiterada nesta semana, com índices mostrando que encomendas de produtos industrializados cresceram 1,8% em junho. Muitos analistas haviam previsto uma queda.

Juros

Há temores de que, com a elevação das taxas de juros, haverá também um aumento dos custos de empréstimos, aumentando a já existente pressão sobre países que enfrentam graves crises econômicas, como a Grécia, Irlanda e Portugal.

Indagado se o aumento da taxa de juros irá afetar as economias periféricas da zona do euro, Trichet afirmou que ''todo o continente se beneficiará se mantida uma estabilidade de preços e confiança''.

Ele afirmou que a confiança representa ''a fundação firme'' do qual a zona do euro depende, apesar de alguns países estarem crescendo a um ritmo mais intenso que outros.

Desde a última reunião do BCE em junho, a zona do euro vem evitando que os países que integram o bloco declarem moratória, o que seria a primeira vez que isso ocorre desde sua criação em 1999.

O temor de que a Grécia viesse a declarar moratória foi reduzido após o Parlamento do país ter aprovado medidas de austeridade impostas por credores internacionais.

O BCE tem desempenhado um papel central na crise da dívida, mantendo os bancos gregos à tona com dinheiro de emergência.

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