Ex-porta-voz de premiê é preso e solto sob fiança por escândalo de grampos

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Image caption Ex-editor teria avalizado grampos telefônicos de repórteres

O ex-porta-voz do primeiro-ministro britânico e ex-editor do jornal britânico News of the World, Andy Coulson, foi detido nesta sexta-feira em Londres, em ligação com o recente escândalo de grampos telefônicos realizados pelo jornal.

A notícia surge um dia após o anúncio de que o tabloide dominical, publicado há 168 anos, terá sua última edição impressa no domingo. A decisão do grupo News Corporation (News Corp), que controla o jornal, em fechar as portas da publicação foi uma reação direta ao escândalo de escutas telefônicas.

O jornal vende semanalmente cerca de 2,8 milhões de exemplares e é o campeão de vendas aos domingos no país.

Coulson é suspeito de ter avalizado as escutas telefônicas realizadas por repórteres do jornal e por detetives a serviço do News of The World.

O jornalista foi libertado ainda nesta sexta-feira, sob fiança, após nove horas de interrogatório, em que negou ter conhecimento dos grampos. Disse também que queria contar "muitas coisas", mas não podia.

Coulson editou o News of The World entre 2003 e 2007 e renunciou ao comando da publicação em 2007, após um de seus repórteres e um detetive terem sido condenados por grampear telefones de integrantes da família real britânica.

No início deste ano, ele renunciou ao cargo de porta-voz do primeiro-ministro britânico, David Cameron, após terem surgido novas denúncias de várias outras invasões de telefones de políticos e celebridades envolvendo jornalistas do News of The World.

Também nesta sexta, em discurso, Cameron chamou para si a responsabilidade pela contratação de Coulson.

"Havia decidido lhe dar uma segunda chance, mas não funcionou. A decisão de contratá-lo foi exclusivamente minha", declarou o premiê, que também criticou os políticos por "fazer vista grossa" a más práticas jornalísticas, mas agregou que o episódio do News of the World resultou em um "momento catártico" tanto para a imprensa quanto para a política.

O premiê já havia pedido uma investigação sobre o caso.

Leia mais na BBC Brasil: Entenda o escândalo de grampos do tabloide News of the World

'Ofuscado'

Na quinta-feira, o diretor do grupo que controla o tabloide britânico News of the World, James Murdoch, anunciou oficialmente o fechamento do jornal, por causa do escândalo de grampos ilegais.

Em um comunicado, Murdoch disse que o "lado bom do News of the World foi ofuscado por um comportamento que foi errado e, se as recentes alegações forem verdadeiras, (foi um comportamento) desumano, que não tem espaço na nossa empresa".

"O News of The World tem a missão de fiscalizar e responsabilizar (as pessoas). Mas não fez isso consigo mesmo."

O News Corp. é um dos maiores conglomerados mundiais de mídia e pertence ao magnata de origem australiana Rupert Murdoch.

Os negócios do grupo envolvem TV, cinema, jornais e publicidade. Na Grã-Bretanha, o grupo é dono ainda dos jornaisThe Sun e The Times. Nos Estados Unidos eles possuem o diário Wall Street Journal e a rede de TV Fox.

O atual escândalo ganhou grande repercussão na Grã-Bretanha nessa semana após a revelação de que o jornal grampeou o celular da Milly Dowler, uma garota de 13 anos que desapareceu em 2002 e foi encontrada morta depois.

Durante as escutas, mensagens deixadas na caixa de recados do telefone foram apagadas, prejudicando as investigações.

Depois, veio a público a notícia de que o jornal também grampeou celulares de parentes das vítimas dos atentados de 2005 e até de soldados britânicos mortos no Iraque e no Afeganistão.

As revelações feitas pelo jornal The Daily Telegraph de que a polícia encontrou celulares de familiares dos soldados mortos nos arquivos do detetive particular do News of the World, Glenn Mulcaire, causaram revolta entre familiares dos militares.

Murdoch

Além de controlar alguns dos principais jornais do país, Rupert Murdoch também negocia a compra da subsidiária britânica da operadora de TV a cabo Sky.

O escândalo pode agora afetar os planos de Murdoch. Nesta semana, diversos anunciantes, entre eles a automotiva Ford e a companhia aérea easyJet, anunciaram que deixariam de anunciar no News of The World até serem concluídas as investigações sobre o caso.

O caso derrubou as ações da News Corporation, que caíram mais de 3% nas bolsas da Austrália e dos Estados Unidos.

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