Edição final de jornal envolvido em grampos deve bater recorde de vendas

Cartaz do 'News of The World', em Merseyside, na Grã-Bretanha, onde o jornal é impresso (PA) Direito de imagem PA
Image caption Expectativa é de que jornal terá recorde de vendagens

A edição final do jornal britânico News of The World, que circulará neste domingo, deverá bater recordes de vendas, segundo estimativas de especialistas da indústria local.

O conglomerado News Corporation (News Corp.), pertencente ao magnata de origem australiana Rupert Murdoch, decidiu fechar as portas do jornal, que exite há 168 anos, por conta do escândalo de grampos ilegais envolvendo o tablóide dominical e a enorme repercussão negativa que o caso teve na Grã-Bretanha.

O jornal, que vende semanalmente cerca de 2,6 milhões de exemplares, é o campeão de vendas aos domingos no país.

A associação NFRN, responsável pela venda de jornais e revistas na Grã-Bretanha, estima que as vendas do tabloide dominical no domingo deverá superar em muito a média de vendagens do jornal.

''Muitas pessoas comprarão o jornal como um item de colecionador. Esperamos que as vendas superem em muito 2,6 milhões de cópias'', disse Anne Bingham, representante da NFRN.

Por conta das procuras acima do esperado para este domingo, o News of The World ganhará uma tiragem de quase 5 milhões de cópias neste domingo.

Escândalo

O escândalo dos grampos telefônicos envolvendo o jornal dominical veio à tona pela primeira vez em 2006.

Nesta semana, o escândalo dos grampos voltou a assolar o jornal, com a denúncia de que um detetive que trabalhava para o tablóide teria grampeado o telefone celular de Milly Dowler, uma menina de 13 anos que desapareceu em 2002.

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Image caption Escândalo ganhou força com denúncia que detetive teria invadido telefone de jovem Milly Dowlder

A manipulação das mensagens, ainda em 2002, fez a polícia e a família da adolescente de 13 anos acreditarem que ela ainda estaria viva, já que sua caixa postal continuava em atividade. O corpo foi encontrado depois.

Logo após a revelação do caso Milly Dowler, os jornais britânicos revelaram, que, em busca de histórias exclusivas, o News of the World fez escuta nos celulares de parentes de vítimas dos atentados de 7 de julho de 2005, em Londres, e de familiares de soldados britânicos mortos no Afeganistão e no Iraque.

Detenção

Na sexta-feira, Andy Coulson, o ex-porta-voz do primeiro-ministro britânico, David Cameron, e ex-editor do News of the World, foi detido em Londres, em ligação com o escândalo dos grampos.

Coulson é suspeito de ter autorizado as escutas telefônicas realizadas por repórteres do jornal e por detetives a serviço do News of The World.

O jornalista foi libertado ainda na sexta, sob fiança, após nove horas de interrogatório, em que negou ter conhecimento dos grampos.

Coulson editou o News of The World entre 2003 e 2007 e renunciou ao comando da publicação em 2007, após um de seus repórteres e um detetive terem sido condenados por grampear telefones de integrantes da família real britânica.

No início deste ano, ele renunciou ao cargo de porta-voz de David Cameron, após terem surgido novas denúncias de várias outras invasões de telefones de políticos e celebridades envolvendo jornalistas do News of The World.

Demissões

O News of The World conta com uma equipe de cerca de 200 profissionais, que provavelmente perderão seus empregos.

O Sindicato dos Jornalistas Britânicos protestou contra o fechamento do jornal, afirmando que a medida é de um ''oportunismo cínico'' e que prejudica somente jornalistas profissionais e free lancers, poupando os altos executivos do conglomerado responsável pelo tabloide.

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Image caption Rebekah Brooks conta com apoio do magnata Murdoch

De acordo com o sindicato, quem deveria ser demitida é Rebekah Brookes, executiva-sênior do grupo News International, o braço de jornais britânicos da News Corp e ex-editora do News of The World entre 2000 e 2003.

A executiva conta com a confiança de Rupert Murdoch, que já disse que pretende mantê-la no cargo. Em entrevista coletiva realizada nesta semana sobre o caso dos grampos, o primeiro-ministro David Cameron disse que ela deveria renunciar ao posto.

Rupert Murdoch, que mora nos Estados Unidos, deve chegar à Grã-Bretanha nesta final de semana, para administrar de perto a crise gerada pelo escândalo dos grampos.

Além de controlar alguns dos principais jornais do país, Murdoch também negocia a compra da subsidiária britânica da operadora de TV a cabo Sky. O magnata teme que o escândalo possa atrapalhar seus planos.

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