Eleição para prefeito de Buenos Aires vai a 2º turno

O candidato Mauricio Macri, após votar neste domingo (Reuters) Direito de imagem Reuters
Image caption Macri, que tenta a reeleição, faz oposição à presidente Cristina Kirchner

Os candidatos Mauricio Macri (PRO) e Daniel Filmus (Frente para a Vitória) disputarão o segundo turno da eleição para a prefeitura de Buenos Aires no dia 31 de julho.

Com 98,5% dos votos apurados, Macri, que busca a reeleição, alcançou 47,1%, enquanto Filmus, apoiado pela presidente Cristina Kirchner, tem 27,8%.

Os resultados foram recebidos com festa nos comitês de campanha dos dois candidatos. Macri é atual prefeito da capital do país e opositor de Kirchner, enquanto Filmus é ex-ministro da Educação e senador da base governista.

A disputa pela prefeitura da capital argentina ocorre a cerca de três meses da eleição presidencial, no dia 23 de outubro, e é vista por analistas e candidatos como o primeiro teste de Cristina, candidata à reeleição.

“Estamos muito contentes porque o resultado mostra a força da presidente na capital federal”, disse, o ministro da Economia, Amado Boudou, candidato à vice na chapa de Cristina à reeleição. Boudou foi um dos vários ministros que compareceram ao comitê de campanha de Filmus, antes do resultado da votação.

O mesmo tom de campanha nacional foi dada pelos seguidores de Macri. “Nosso partido nasceu para ser alternativa nacional e essa eleição é muito importante para essa meta”, disse a deputada Gabriela Michetti, do PRO.

‘Peso nacional’

O analista político Eduardo Van der Kooy, do jornal Clarín, disse que a eleição na capital federal ganhou “peso nacional” e pode influenciar o pleito de outubro.

O analista Joaquín Morales Solá, do jornal La Nación, observou que o segundo turno ocorrerá 15 dias antes das primárias gerais para as eleições presidenciais, e o resultado deverá ter “efeito” no pleito nacional.

O ex-presidente do Banco Central, o deputado da oposição ao governo central, Alfonso Prat-Gay, disse à BBC Brasil que a eleição na capital federal e as primárias são decisivas para a definição do próximo presidente do país.

Direito de imagem Reuters
Image caption Filmus, o candidato governista, defende bandeiras de saúde e educação

“As primárias vão mostrar o quanto realmente cada candidato tem de apoio popular.”

Para a analista Dóris Capurro, do instituto de pesquisas Ibarometro, o resultado do segundo turno, entre Macri e Filmus, é “incerto”, e dependerá das próximas três semanas de campanha e da migração dos indecisos.

“Vinte por cento dos eleitores não votaram nem em Macri, nem Filmus, e é cedo para saber aonde esses votos irão”, afirmou.

No total, 14 candidatos disputaram o pleito, indicando, segundo o analista Sergio Berensztein, do instituto Poliarquia, a “fragmentação” da oposição.

Repeteco

Macri e Filmus disputaram a mesma eleição em 2007, votação que também foi ao segundo turno.

Macri, que é engenheiro e ex-presidente do clube Boca Juniors, deu prioridade às obras na sua atual gestão, como as ciclovias e a reabertura do Teatro Colón.

Filmus, que é sociólogo, defende que a educação e a saúde deverão ser bandeiras de sua gestão, caso eleito.

O próximo prefeito assumirá em dezembro para quatro anos de mandato, até 2015. Neste domingo, 2,4 milhões de eleitores, quase 9% do eleitorado nacional, votaram também para eleger 30 vereadores, metade da Câmara local, e, pela primeira vez, para escolher representantes nas comunas (bairros).

Tradicionalmente, a eleição para prefeito de Buenos Aires tem forte expectativa política por se tratar da capital do país e do reduto com maior poder aquisitivo nacional.

Segurança pública

Pesquisas de opinião indicam que a segurança pública é prioridade para os eleitores portenhos.

Nesse cenário, Macri criou, durante sua gestão, a polícia metropolitana, e o governo nacional enviou sua polícia militarizada, chamada Gendarmeria, para as áreas mais sensíveis da cidade, onde a polícia federal já realiza a segurança da capital.

Estima-se que mais de 80% dos eleitores compareceram às urnas no domingo, mostrando maior interesse pela votação do que o esperado.

“Não foi bom que a campanha tenha ocorrido junto com a Copa América”, disse Daniel de Abrantes, chefe de campanha do candidato Pino Solanas, do Projeto Sul.

Apesar da "concorrência" com o torneio de futebol, muitos eleitores fizeram filas para votar. “Nós, jovens, estamos com o Filmus”, disse à BBC Brasil o universitário Juan Pedro González, de 23 anos, que votou no bairro nobre da Recoleta.

“Votei em Macri para reduzir o peso do governo central na eleição presidencial”, disse a advogada Mariana Martínez, de 45 anos, que votou no bairro de Palermo.

Notícias relacionadas