Medo de contágio da crise na Europa derruba mercados no mundo

Símbolo do Euro. Direito de imagem REUTERS
Image caption Analistas dizem que Itália não é a Grécia; especulação aumenta juros dos títulos italianos

O temor de que a crise da Grécia cruze as fronteiras e chegue à também endividada Itália e à combalida Espanha derrubou mercados mundo afora. Bolsas da Europa, dos Estados Unidos e do Brasil fecharam em baixa nesta segunda-feira.

Em Milão, a bolsa despencou 4%. Em Frankfurt, o índice Dax fechou com baixa de 2,3% e, no Reino Unido, o FTSE caiu 1%. Queda também em Nova York, com baixa de 1,2%, em Dow Jones, e 2%, na Nasdaq. Em São Paulo, a Bovespa caiu 2,1%.

O euro também caiu 1,6% em relação ao dólar.

O mau humor nos pregões se deu no dia em que ministros das Finanças da zona do euro se encontraram, em Bruxelas, em uma reunião de emergência convocada pelo presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy.

A pauta do encontro foi a crise grega, mas o foco foi o tamanho da dívida pública italiana, equivalente a 120% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Entre os países da zona do euro, esse percentual só é menor que o da Grécia, cujo endividamento atinge 150% da riqueza nacional.

O temor é que a Itália, que até agora tem pago em dia seus vencimentos, tenha dificuldades para honrar seus compromissos.

Os títulos da dívida pública italiana se desvalorizaram e as agências de classificação de risco já alertaram que podem rebaixar a nota dos papéis emitidos pelo governo de Roma.

Austeridade

A Espanha, com altos índices de desemprego, também pode ser vítima de contágio.

Nesta segunda-feira, o primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodriguez Zapatero, pediu que a União Europeia tome uma decisão rápida e "clara" em relação ao segundo pacote de ajuda à Grécia, na esperança de estancar a crise.

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, apelou à Grécia, mas também falou sobre a Itália, pedindo ao governo de Roma que se mostre decisivo ao aplicar seu plano de austeridade fiscal.

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Image caption Rompuy convocou reunião de emergência sobre crise; fragilidade de Berlusconi cria instabilidade

O ministro das Finanças italiano, Giulio Tremonti, apresentou um plano de cortes orçamentários de 48 bilhões de euros (quase R$ 107 bilhões) para os próximos três anos.

O primeiro-ministro, Silvio Berlusconi, deu declarações indicando que o arrocho nas contas pode não contar com apoio integral da coalizão de governo, o que tende a aumentar a instabilidade.

Especulação

Apesar do temor dos investidores, analistas ressaltam que a Itália não representa um risco tão grande quanto a Grécia.

Segundo Juan Carlos Martínez Lázaro, analista do Instituto de Empresas de Madri, na Espanha, o temor sobre a dívida italiana ocorre por três fatores: instabilidade política, percepção dos mercados e especulação financeira.

"É a típica irracionalidade dos mercados. Os títulos italianos hoje pagam juros de alto risco, mas em nenhum momento o país teve dificuldade para fazer frente a seus compromissos", disse, à BBC Mundo.

Vicenç Navarro, professor da Universidade Pompeu Fabra de Barcelona, diz que é importante para as economias europeias que o capital financeiro seja menos poderoso. "Hoje, seu poder é uma das causas da crise."

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