Embaixadas da França e dos EUA são atacadas em Damasco

Embaixada americana após ataque. em Damasco. Direito de imagem AP
Image caption Manifestantes pró-governo quebraram janelas da embaixada americana

As embaixadas dos Estados Unidos e da França em Damasco, capital da Síria, foram atacadas por partidários do presidente Bashar al-Assad nesta segunda-feira.

Um oficial da embaixada americana disse à BBC que houve danos físicos ao edifício, mas ninguém ficou ferido. Relatos dizem que janelas do prédio foram quebradas e que uma bandeira síria foi hasteada.

Além disso, a residência oficial do embaixador americano em Damasco, Robert Ford, que não faz parte do complexo da embaixada, também foi atacada, embora não existam relatos de danos ou de feridos no incidente.

Em comunicado, o Departamento de Estado americano afirmou "condenar a recusa do governo sírio em proteger" a embaixada e exige "indenização pelos danos".

Horas antes, guardas da embaixada francesa dispararam para o alto para dispersar a multidão que também atacava o prédio da representação.

As manifestações acontecem dias depois das visitas dos embaixadores dos dois países à cidade de Hama, palco de mais um grande protesto contra o governo de Assad na última sexta-feira.

As visitas separadas, que ambos os governos disseram ter sido organizadas para expressar solidariedade à oposição síria - receberam duras críticas de Damasco.

Nos últimos dois dias, após as visitas, manifestantes pró-governo organizaram protestos diante das embaixadas da França e dos Estados Unidos.

Grupos de direitos humanos dizem que pelo menos 1,4 mil civis e 350 oficiais das forças de segurança foram mortos desde que os protestos começaram, no mês de março.

Reunião

Nesta segunda-feira, um oficial da embaixada americana em Damasco disse à BBC que a embaixada foi atacada por uma "multidão".

O oficial disse que o governo sírio havia garantido que providenciaria proteção adequada para o edifício, mas que demorou a responder neste caso.

Os ataques às embaixadas coincidem com uma conferência de diálogo sobre a crise organizada pelo governo, que diversos líderes da oposição decidiram boicotar.

A reunião discute possíveis reformas políticas, com esperanças do governo de que ela porá fim ao levante popular, que já dura quatro meses.

O governo sírio nega que esteja atacando civis, e diz que está buscando grupos armados.

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