Jornais de Murdoch rejeitam acusação de ex-premiê e defendem suas apurações

Gordon Brown em entrevista à BBC
Image caption As informações teriam sido obtidas quando Brown era ministro das Finanças

Os jornais do grupo News Internacional rejeitaram nesta terça-feira acusações de que teriam obtido de forma ilegal informações privadas sobre o ex-premiê britânico Gordon Brown e defenderam seus métodos jornalísticos.

Documentos e gravações que vieram à tona na última segunda-feira sugeriam que o Sunday Times e o The Sun poderiam ter tido acesso a dados financeiros privados de Brown e ao histórico médico de seu filho.

Brown declarou à BBC estar "genuinamente chocado em saber que isso aconteceu por causa das ligações com criminosos conhecidos que estavam realizando estas atividades, contratados por investigadores que estavam trabalhando para o Sunday Times".

Mas o Sunday Times disse nesta terça que não procedeu de forma ilegal quando publicou uma reportagem, no ano 2000, sobre Brown quando este atuava como ministro das Finanças e adquiriu um apartamento.

O jornal disse que agiu de acordo com o "interesse público".

"Ouvimos que Brown havia comprado um apartamento mais barato do que qualquer avaliação normal e ele o tinha feito por meio de uma companhia da qual um aliado próximo, Geoffrey Robinson, tinha sido diretor", disse um porta-voz do jornal.

"Tínhamos motivos suficientes para investigar o assunto e usamos o código da Press Complaints Comission (o órgão independente que analisa as reclamações da população a respeito da imprensa), que regula o uso de táticas."

"Acreditamos que não agimos fora da lei nesse processo de investigação e, ao contrário da alegação de Brown, nenhum criminoso foi usado, e a história foi publicada dando um espaço justo a todos os lados."

'The Sun'

Outro jornal da News International, o The Sun, também defendeu seus métodos a respeito da publicação, em 2006, de uma matéria que tinha informações sigilosas sobre a saúde de Fraser, filho de Brown que tem fibrose cística.

Direito de imagem Reuters
Image caption Jornais publicaram detalhes médicos de um dos filhos de Brown

Brown afirmou não saber como a informação foi obtida pelo jornal, já que apenas médicos e a família sabiam da doença.

"(Minha esposa) Sarah e eu ficamos incrivelmente angustiados com isso, nós estávamos pensando no futuro dele no longo prazo, estávamos pensando em nossa família", ele disse.

"Se eu, com toda a proteção e toda a segurança dadas a um ministro das finanças ou primeiro-ministro, sou tão vulnerável a táticas inescrupulosas e ilegais, o que acontece com o cidadão comum?", indagou Brown.

Mas um porta-voz do The Sun disse que "podemos garantir a Brown e sua família que não tivemos acesso aos registros médicos de seu filho nem pagamos alguém para fazê-lo".

"A reportagem que publicamos foi feita com base em um membro da população que teve um caso da doença na família. Ele veio até o jornal voluntariamente com a informação porque desejava dar visibilidade à causa dos que sofrem com ela."

"Esse indivíduo confirmou por escrito essa versão dos fatos a um advogado."

"Acreditamos que essa reportagem foi escrita de forma apropriada e com bom senso. Não estamos cientes de que Brown ou qualquer um de seus colegas com quem conversamos tenha reclamado na época."

O jornal diz ter entrado em contato com colegas de Brown antes de publicar a reportagem e que estes teriam tido uma reação que indicava que consentiriam com a publicação.

As novas acusações contra jornais do grupo pertencente ao magnata Ruper Murdoch surgem uma semana depois de alegações de grampo telefônico envolvendo o tabloide News of the World.

O escândalo levou a News International a fechar o News of The World no último domingo, após 168 anos de atividade.

Leia também na BBC Brasil: Entenda o escândalo de grampos do 'News of the World'

Implicações nos EUA

O caso dos grampos ilegais na Grã-Bretanha repercutiu nos Estados Unidos nesta terça-feira.

O presidente do comitê de comércio do Senado americano, Jay Rockefeller, disse em comunicado que o escândalo envolvendo o grupo midiático News Corp, que engloba o News International, levanta questionamentos sobre se a corporação teria infringido a lei dos EUA.

Ele pediu às agências reguladoras que investiguem se o News Corp - dono de veículos de comunicação como o Wall Street Journal, a Fox News e o New York Post – promoveu atividades consideradas ilegais em território americano ou desrespeitou limites de privacidade, crimes dos quais o tabloide britânico News of the World tem sido acusado.

O senador, porém, não apresentou nenhuma prova que sustentasse essa possibilidade.

Horas antes, o News Corp anunciou a recompra de US$ 5 bilhões de dólares em ações do próprio grupo nos EUA, depois de essas ações sofrerem queda.

Após o anúncio da compra, o preço das ações subiu, mas voltou a cair quando o governo britânico anunciou que apoiará uma moção da oposição que tenta impedir o News Corp de adquirir a totalidade da empresa de TV a cabo britânica BSkyB.

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