BNDES recua de financiar fusão, e proposta do Pão de Açúcar é suspensa

Atualizado em  12 de julho, 2011 - 20:45 (Brasília) 23:45 GMT
Loja do Pão de Açúcar em SP (Reuters)

Proposta de fusão foi feita por Abilio Diniz, proprietário de parte do Pão de Açúcar

A proposta de fusão entre Pão de Açúcar e Carrefour foi suspensa na noite desta terça-feira, após ser rejeitada pela terceira parte envolvida no negócio – a francesa Casino, detentora de parte do Pão de Açúcar e rival do Carrefour – e após um recuo do BNDES no financiamento da operação.

O BNDES anunciou que desistiu de financiar a fusão entre as redes varejistas porque o conselho administrativo do Casino votou unanimemente nesta terça-feira contra a proposta de fusão. A empresa francesa disse, em comunicado, que a fusão seria “contrária aos interesses do GPA (Grupo Pão de Açúcar), de seus acionistas e do Casino”.

“Frente ao comunicado do grupo Casino, rejeitando a proposta de associação entre Pão de Açúcar e Carrefour, a diretoria do BNDESPar (braço de participações do banco em empresas privadas) informa que cancelou o enquadramento da operação solicitada (...)”, informou o banco. “Como reiterado em diversas oportunidades, o pressuposto da eventual participação do BNDESPar na operação era o entendimento entre todas as partes envolvidas.”

Em seguida, a Gama/BTG Pactual, sociedade criada com o propósito de viabilizar a fusão, comunicou a decisão de "suspender temporariamente a proposta, com o firme propósito de manter um diálogo aberto".

A tentativa de fusão havia sido anunciada em 28 de junho, quando o varejista francês Carrefour informou ter recebido uma proposta de unir suas operações no Brasil com o Grupo Pão de Açúcar.

A operação, articulada pelo empresário e proprietário de parte do Pão de Açúcar, Abilio Diniz, teria sido viabilizada por meio de uma injeção de R$ 3,9 bilhões do BNDES, que passaria a ter participação no novo grupo.

Pela fusão, o Pão de Açúcar - que já controla as redes de varejo Extra, CompreBem, Sendas, Ponto Frio e Casas Bahia - passaria também a controlar parte das das operações do Carrefour no Brasil.

O novo grupo concentraria quase um terço do comércio varejista no país e parte do Carrefour mundial.

Críticas

O grupo francês Casino, que detém 43,1% do Pão de Açúcar e concorre com o Carrefour na França, alegou que não foi consultado sobre a fusão, e que as partes envolvidas no negócio "ignoram deliberadamente tanto a lei e os contratos quanto os princípios fundamentais da ética comercial".

O Casino, que investiu no Pão de Açúcar em 1999, quando o grupo brasileiro enfrentava dificuldades financeiras, diz que negociou em 2005 com Diniz para ter o direito de controlar a empresa a partir de 2012. Uma eventual fusão com o Carrefour tiraria esse direito do Casino.

A proposta de fusão também despertou questionamentos com relação à participação do BNDES em uma operação envolvendo duas grandes empresas privadas.

A ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, disse no início do mês que a atuação do BNDES na fusão não envolveria recursos públicos, já que ocorreria por meio da BNDESPar, braço de participações do banco em empresas privadas.

O ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, chegou a defender que a fusão teria importância estratégica para o Brasil, porque, segundo ele, abriria portas para produtos brasileiros no mercado internacional.

Críticos alegaram que a fusão teria tornado o mercado varejista brasileiro ainda mais concentrado, diminuindo a concorrência e prejudicando os consumidores.

Na mesma nota em que anunciou a suspensão do negócio, a Gama/BTG Pactual afirmou que a operação seria "uma oportunidade excepcional para ambos os grupos, oferecendo enorme potencial de crescimento para GPA e relevantes ganhos para todos os acionistas, inclusive o Grupo Casino".

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