BNDES desiste de financiar fusão entre Pão de Açúcar e Carrefour

Loja do Pão de Açúcar em SP (Reuters) Direito de imagem Reuters
Image caption Proposta de fusão foi feita por Abilio Diniz, proprietário de parte do Pão de Açúcar

O BNDES anunciou, na noite desta terça-feira, que desistiu de financiar a fusão entre as redes varejistas Pão de Açúcar e Carrefour do Brasil, depois de a terceira parte envolvida no negócio – a francesa Casino, detentora de parte do Pão de Açúcar e rival do Carrefour – ter rejeitado a fusão.

“Frente ao comunicado do Conselho de Administração do grupo Casino, rejeitando a proposta de associação entre Pão de Açúcar e Carrefour, a diretoria do BNDESPar (braço de participações do banco em empresas privadas) informa que cancelou o enquadramento da operação solicitada (...)”, diz o comunicado do banco.

“Como reiterado em diversas oportunidades, o pressuposto da eventual participação do BNDESPar na operação era o entendimento entre todas as partes envolvidas”, diz a nota. Horas antes, na França, o conselho do Casino votara unanimemente contra a proposta de fusão, considerando-a, segundo comunicado, “contrária aos interesses do GPA (Grupo Pão de Açúcar), de seus acionistas e do Casino”.

A tentativa de fusão havia sido anunciada em 28 de junho, quando o varejista francês Carrefour informou ter recebido uma proposta de unir suas operações no Brasil com o Grupo Pão de Açúcar.

A operação, articulada pelo empresário e proprietário de parte do Pão de Açúcar, Abilio Diniz, seria viabilizada por meio de uma injeção de R$ 3,9 bilhões do BNDES, que passaria a ter participação no novo grupo.

Pela fusão, o Pão de Açúcar - que já controla as redes de varejo Extra, CompreBem, Sendas, Ponto Frio e Casas Bahia - passaria também a controlar parte das das operações do Carrefour no Brasil.

O novo grupo passaria a concentrar quase um terço do comércio varejista no país. Além disso, o Grupo Pão de Açúcar passaria a ter 11,7% do Carrefour mundial.

Críticas

O grupo francês Casino, que detém 43,1% do Pão de Açúcar e concorre com o Carrefour na França, alegou que não foi consultado sobre a fusão, e que as partes envolvidas no negócio "ignoram deliberadamente tanto a lei e os contratos quanto os princípios fundamentais da ética comercial".

O Casino, que investiu no Pão de Açúcar em 1999, quando o grupo brasileiro enfrentava dificuldades financeiras, diz que negociou em 2005 com Diniz para ter o direito de controlar a empresa a partir de 2012. Uma eventual fusão com o Carrefour tiraria esse direito do Casino.

A proposta de fusão também despertou questionamentos com relação à participação do BNDES em uma operação envolvendo duas grandes empresas privadas.

A ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, disse no início do mês que a atuação do BNDES na fusão não envolveria recursos públicos, já que ocorreria por meio da BNDESPar, braço de participações do banco em empresas privadas.

O ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, chegou a defender que a fusão teria importância estratégica para o Brasil, porque, segundo ele, abriria portas para produtos brasileiros no mercado internacional.

Críticos alegaram que a fusão tornaria o mercado varejista brasileiro ainda mais concentrado, diminuindo a concorrência e prejudicando os consumidores.

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