Governo britânico pede que Murdoch desista de comprar operadora a cabo

Rupert Murdoch/Getty Images Direito de imagem Getty
Image caption O australiano Murdoch chegou à Grã-Bretanha no domingo para lidar com a crise

O governo britânico disse nesta terça-feira que vai apoiar uma moção da oposição trabalhista pedindo que a News Corporation, empresa do magnata Rupert Murdoch e pivô do recente escândalo de obtenção ilegal de informações, desista de finalizar a compra da operadora de TV a cabo BSkyB.

Como o governo é formado por uma coalizão entre o Partido Conservador e o Liberal Democrata, as três principais forças políticas britânicas estão unidas contra a intenção da empresa de avançar em sua compra de 100% das ações da BSKyB.

Nesta quarta-feira, o Parlamento britânico votará a moção, que afirma ser "do interesse público", para tentar cancelar a proposta.

O líder trabalhista, Ed Miliband, disse que a proposta de compra não deveria ser considerada até o término das investigações criminais sobre a empresa de Murdoch.

O vice-primeiro-ministro e líder dos liberais democratas, Nick Clegg, já havia feito um pedido semelhante.

"Em última instância, esta é uma decisão que compete à News Corporation, mas sempre esperamos que as pessoas levem em conta o que o Parlamento tem a dizer", disse um porta-voz do governo britânico nesta terça-feira.

O secretário da Cultura, Jeremy Hunt, responsável pela decisão final sobre a compra, não vai votar.

Leia também na BBC Brasil: Entenda o escândalo de grampos do 'News of the World'

'Gigante'

A News Corporation já detém 39% das ações da BSkyB. O negócio criaria um "gigante" da mídia, com um lucro que superaria todos os seus rivais na Grã-Bretanha, incluindo a BBC.

Grupos de mídia rivais alegavam, já antes do escândalo envolvendo os jornais de Murdoch, que o negócio prejudicaria a concorrência ao concentrar muito poder em uma só companhia.

O primeiro-ministro, David Cameron, deve se encontrar nesta tarde com Clegg e Miliband para discutir detalhes de inquéritos propostos para investigar as alegações de obtenção ilegal de informações envolvendo jornalistas das empresas de Murdoch.

Image caption Informações sobre Brown teriam sido obtidas quando ele era ministro das Finanças

A Câmara dos Comuns, a câmara baixa do Parlamento britânico, pediu para que Murdoch, seu filho James Murdoch e a diretora-executiva do grupo, Rebekah Brooks, prestem esclarecimentos na próxima terça-feira.

Também nesta terça-feira, o ex-premiê britânico Gordon Brown pediu para que os jornais de Murdoch sejam investigados, após denúncias de que ele teria sido espionado de forma ilegal quando ocupava o posto de ministro das Finanças.

Leia mais: Ex-premiê Gordon Brown pede investigação sobre ligação de jornais e criminosos

As acusações contra jornais do grupo pertencente a Murdoch surgem uma semana depois de alegações de grampo telefônico envolvendo o tabloide News of the World, também de propriedade da News Corporation.

O escândalo levou, no último domingo, ao fechamento do News of The World, após 168 anos de atividade.

Notícias relacionadas