Chávez admite que poderá se submeter a sessões de quimioterapia

Chávez participa de missa em academia militar (Reuters) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Chávez admitiu que poderá ser submetido a sessões de quimioterapia

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, admitiu, nesta quarta-feira, que pode ser submetido a sessões de quimioterapia para "blindar" sua saúde contra o câncer e negou rumores de que a doença teria afetado o cólon e estômago.

Chávez tem feito aparições públicas frequentes, porém, breves desde que retornou à Venezuela, em 4 de julho, depois de passar quase um mês em tratamento em Cuba.

Durante visita à ilha, o líder venezuelano foi diagnosticado com câncer e teve de ser submetido a uma cirurgia de emergência para retirar um tumor que segundo ele "era quase como uma bola de beisebol".

"Depois da extração do tumor tenho tido um ótimo nível de recuperação (...)Vamos entrar com tudo em uma segunda etapa e talvez em uma terceira que vai requerer a aplicação de métodos como radioterapia e quimioterapia", afirmou Chávez em uma declaração por telefone a um programa da TV estatal.

Chávez não deu mais detalhes sobre a localização do tumor - que segundo informação oficial estava alojado na região pélvica - e limitou-se a negar rumores de que o tumor teria afetado o cólon e estômago.

"Dizem que tenho o cólon picado em quatro pedaços, o estômago estragado. Não tenho nada disso estragado e acredito que se convenceram disso com as atividades que tenho feito", disse. "É um câncer, mas não como alguns gostariam", ironizou.

Repouso e dieta

Depois de passar quase um mês em recuperação em Cuba, Chávez continua recebendo tratamento em Caracas, que inclui, além de medicamentos, repouso e dieta alimentar. Nesta quarta-feira, a equipe médica que cuida da saúde do presidente deverá informá-lo se o câncer foi controlado ou se poderia ter afetado outros órgãos.

Desde seu retorno, a principal dúvida no campo político venezuelano, tanto entre aliados como entre opositores, é se o presidente terá condições de disputar a campanha para as eleições presidenciais de 2012 e renovar seu mandato por outros seis anos.

Conhecido e criticado por seu estilo centralizador de governar, Chávez fez um "mea culpa" e indicou que deve encaminhar o governo a uma "direção coletiva", ao admitir que "é preciso aprender a delegar, sem deixar de supervisionar".

Com 14 quilos a menos desde a cirurgia, ele voltou a se responsabilizar pela fragilidade de sua saúde.

"Eu estava me matando, comia de tudo, estava gordo como um tanque, andava com três telefones ligados, via algo pela TV e chamava um ministro (...) era uma angústia permanente que não me deixava respirar e a culpa era minha", relatou.

Um dos sinais de mudança de hábito do presidente venezuelano foi essa declaração por telefone à TV estatal, feita um pouco antes das sete horas da manhã. Raras vezes nos últimos 12 anos, Chávez foi visto em público no início da manhã. O presidente, de 56 anos, costumava trabalhar também nas madrugadas e dormia, em média, quatro horas diárias.

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