Estados Unidos reconhecem governo rebelde da Líbia

Ministros do Grupo de Contato da Líbia, em Istambul. AP Direito de imagem AP
Image caption Hillary Clinton disse que o Conselho de Transição deu garantias de trasparência e democracia

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, anunciou nesta sexta-feira que os Estados Unidos reconhecem o conselho rebelde da Líbia como “autoridade de governo legítima”.

O anúncio foi feito durante reunião do chamado Grupo de Contato da Líbia, que reúne mais de 30 países. Antes dos americanos, a França, a Turquia e a Itália já haviam reconhecido os rebeldes.

Hillary disse que o regime de Muamar Khadafi "já não tem nenhuma autoridade legítima na Líbia". Ela voltou a pedir a renúncia do líder líbio.

"As garantias que o CNT (Conselho Nacional de Transição) ofereceu hoje reforçam nossa confiança de que eles são um interlocutor apropriado para os Estados Unidos, nas negociações com a Líbia hoje e do futuro".

"Nós ainda temos de lidar com algumas questões legais, mas esperamos que este passo no reconhecimento possibilite ao CNT ter acesso a fontes adicionais de financiamento".

A secretária de Estado disse que "até uma autoridade interina assumir, os Estados Unidos irão reconhecer o CNT (Conselho Nacional de Transição) como autoridade de governo legítima da Líbia".

Antes, o ministro das Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, disse que os integrantes do grupo irão reconhecer o Conselho de Transição Nacional e que a decisão oficial deverá ser anunciada mais tarde em Istambul, na Turquia.

Frattini disse que Khadafi "não tem outra opção", senão deixar o poder.

O ministro italiano disse ainda que o enviado especial da ONU à Líbia, Abdul Elah al-Khatib, irá negociar uma transição de poder com o regime líbio, assim como um cessar-fogo.

Pós- Khadafi

Na reunião, a secretária de Estado americana disse que a comunidade internacional já está considerando o "pós-Khadafi".

Para Hillary, o encontro é uma oportunidade para preparar o terreno para o que virá na Líbia após a queda de Khadafi. Ela disse que o conselho rebelde deu garantias importantes de transparência e de que planeja reformas democráticas.

O líder líbio se encontra cada vez mais pressionado na capital, Trípoli, enquanto parte do país está sob poder das forças rebeldes, que avançam com a ajuda dos bombardeios da Otan (aliança militar do Ocidente).

Na última semana, a oposição tomou um importante depósito de armamentos, nos arredores da capital, fragilizando ainda mais o regime.

Cerca de 6 mil militares já desertaram. O Tribunal Penal Internacional, sediado em Haia, também emitiu mandados de prisão contra figuras-chave do regime líbio.

Enquanto isso, Tripoli vive uma crise de desabastecimento de petróleo e comida.

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