Murdoch pede desculpas a família de menina desaparecida

Rupert Murdoch. AP Direito de imagem Reuters
Image caption Advogado da família de Milly Dowler disse que o magnata se mostrou "tocado e sincero"

O magnata Rupert Murdoch pediu desculpas nesta sexta-feira aos pais da menina Milly Dowler. O encontro privado ocorreu dias após o fechamento do jornal mais vendido da Grã-Bretanha, o News of the World, acusado de fazer escutas ilegais no celular da garota, morta em 2002.

O advogado da família Dowler, Mark Lewis, declarou por meio de nota, que Murdoch se mostrou “humilde, tocado e sincero” no encontro em Londres.

“Ele pediu desculpas muitas vezes”, disse.

O advogado disse ainda que a mensagem da família para Murdoch foi a de que a imprensa deve se pauta por valores como “honestidade e decência”.

O encontro se deu no mesmo dia em que a presidente-executiva da News International, Rebekah Brooks, pedir demissão.

Brooks era editora do News of the World no período em que teriam ocorrido os grampos no celular de Milly Dowler, uma adolescente de 13 anos que desapareceu em 2002.

A manipulação das mensagens da caixa postal de Milly por um detetive fez a polícia e a família da adolescente acreditarem que ela ainda estivesse viva, já que sua caixa postal aparentemente continuava em atividade. O corpo foi encontrado posteriormente. A revelação do caso foi o estopim do escândalo.

Escândalo

Investigações indicam que até 4 mil pessoas podem ter sido grampeadas, entre políticos, membros da realeza, esportistas, celebridades e familiares de militares mortos na guerra do Afeganistão.

Entre as possíveis vítimas das escutas telefônicas também está um dos primos do brasileiro Jean Charles de Menezes, morto por engano pela polícia britânica em julho 2005.

O escândalo envolvendo os grampos do News of the World levou a News International a fechar o jornal, o mais vendido aos domingos no país. A última edição do tabloide circulou no último fim de semana.

O FBI (a polícia federal dos Estados Unidos) também anunciou na quinta-feira que investiga acusações de que a News Corporation, o conglomerado internacional de Murdoch, tentou grampear telefones de vítimas dos ataques de 11 de setembro de 2001.

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