Comissão alemã desiste de dar prêmio de direitos humanos a Putin

Vladimir Putin. Foto: AFP Direito de imagem AFP
Image caption Anúncio da premiação ao premiê russo, feita na última semana, foi fortemente criticada

Os organizadores de um importante prêmio alemão de direitos humanos anunciaram neste sábado que desistiram de premiar o ex-presidente russo e atual primeiro-ministro do país, Vladimir Putin, depois de receber fortes críticas pela decisão.

O Prêmio Quadriga, batizado em homenagem à estátua localizada no alto do Portão de Brandemburgo, em Berlim, é dado anualmente no aniversário da reunificação alemã e é "dedicado a todos aqueles cuja coragem derruba muros e cujo comprometimento constroi pontes".

O anúncio da premiação a Putin, feito na última semana, foi recebido com raiva por seus críticos. Eles afirmam que a decisão transformou o prêmio em um "escárnio".

Os organizadores do Quadriga anunciaram neste sábado que retiravam o prêmio de Putin com "grande pesar", citando "críticas em massa na mídia e no mundo político" devido à sua escolha.

"A pressão crescente estava se tornando cada vez mais insustentável e arriscando a aumentar mais ainda", disseram os organizadores, em um comunicado.

A comissão decidiu que não haverá premiação em 2011, e que ocorrerá uma avaliação sobre o que fazer no próximo ano.

Relação russo-alemã

Putin seria reconhecido, segundo os organizadores, por seu "serviço para a confiança e a estabilidade da relação russo-alemã".

Os críticos de Putin, no entanto, dizem que, enquanto foi presidente russo, entre 2000 e 2008, o ex-chefe da KGB supervisionou políticas opressivas de governo e desvios das liberdades civis.

O comissário da Alemanha para direitos humanos, Markus Loening, chegou a dizer que colocar Putin ao lado do ex-presidente checo Vaclav Havel e do ex-líder soviético Mikhail Gorbachev (ambos vencedores do Quadriga) era algo "francamente cinico" e que desvalorizava o prêmio.

A escolha de Putin fez com que o vencedor do Quadriga em 2010, o artista dinamarquês Olafur Eliasson, devolvesse o seu prêmio.

Já Vaclav Havel ameaçou devolver o seu Quadriga, recebido em 2009, em protesto ao anúncio da premiação ao líder russo.

Neste sábado, uma porta-voz de Havel disse que, na opinião do ex-presidente checo, a desistência em premiar Putin era algo "muito sábio".

Ela afirmou que o Quadriga deveria ser dado a pessoas que "dedicaram suas vidas à proteção dos direitos humanos e das liberdades, e promovendo a democracia".

A porta-voz de Havel citou o dissidente chinês Liu Xiaobo, o ativista russo Sergei Kovalov e a jornalista russa Anna Politkovskaya (morta a tiros em 2006) como exemplos de pessoas que mereceriam o prêmio.

Um porta-voz do premiê russo afirmou que a polêmica não abala a relação entre o seu país e a Alemanha, e que Moscou "trata com respeito qualquer decisão desta organização".

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