Curdos abandonam reunião e expõem divisão entre oposicionistas sírios

Em foto de autenticidade não verificada, participantes de funeral protestam na cidade síria de Kaboun. Foto: AP Direito de imagem AP
Image caption Na Síria, funerais de manifestantes mortos na sexta deram origem a protestos populares

Uma conferência de ativistas sírios contrários ao presidente do país, Bashar Al-Assad, realizada neste sábado na Turquia, acabou expondo as divisões internas dos grupos oposicionistas depois que representantes curdos deixaram a reunião.

Os curdos acusaram os outros participantes da conferência, realizada em Istambul, de marginalizá-los e ignorar as questões envolvendo o seu povo.

Segundo o correspondente da BBC Rami Ruhayem, os curdos também alegam que não tiveram o direito de falar na sessão de abertura da reunião.

Os curdos representam cerca de 10% da população síria, tendo sofrido discriminação por várias décadas, segundo Ruhayem.

Mesmo antes da conferência, a oposição teve muitas dificuldades para apresentar uma frente unida contra Assad, devido a diferenças táticas e ideológicas.

De acordo com o correspondente da BBC, qualquer indício de divisão étnica entre os oposicionistas deve tornar as negociações ainda mais complicadas.

Uma reunião paralela de oposicionistas, previamente marcada para a capital síria, Damasco, foi cancelada devido ao temor de que as forças de segurança do governo viessem a interromper o encontro e prender seus participantes.

O regime de Assad insiste que a única maneira de acabar com a crise é permitir a implementação de uma ampla reforma, com base em um diálogo nacional patrocinado pelo governo. No entanto, os ativistas reunidos em Istambul rejeitam totalmente esta hipótese.

Desde março, quando os protestos populares contra o governo de Assad tiveram início, o governo sírio tem alternado medidas conciliatórias, como a libertação de presos políticos, com episódios de violenta repressão.

As Nações Unidas estimam que mais de 1,6 mil pessoas já tenham morrido desde o começo dos protestos na Síria. O governo de Assad põe a culpa da onda de violência em "gangues de terroristas e criminosos armados".

Funerais e protestos

Dezenas de milhares de pessoas participaram neste sábado dos funerais dos manifestantes mortos pelas forças de segurança sírias durante os protestos dessa sexta-feira. Ativistas afirmam que pelo menos 28 civis morreram nas manifestações.

O correspondente da BBC em Beirute (Líbano) Owen Bennett Jones afirma que vídeos de procedência não verificada mostram grandes multidões marchando pelas ruas de cidades sírias, carregando caixões e entoando palavras de ordem contra o regime.

As informações na Síria não podem ser verificadas de forma independente, já que o governo impede a entrada de jornalistas estrangeiros.

Segundo Bennett Jones, ativistas dizem que as forças de segurança tentaram dispensar os participantes dos funerais, o que teria resultado em mais mortes.

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